Dois médicos são indiciados após investigação sobre morte de gestante em Indaial

Polícia Civil concluiu o inquérito após meses de apuração, com três laudos periciais, duas perícias complementares e 20 depoimentos; caso segue agora para análise do Ministério Público.

Imagem: OBlumenauense

A morte de Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, moradora de Indaial, teve um novo desdobramento. Após meses de investigação, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou dois médicos por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

A jovem estava com 28 semanas de gestação e, segundo relatos da família, procurou atendimento médico em mais de uma ocasião apresentando sintomas como febre, dores no corpo, vômitos e manchas na pele. Em todas as vezes, teria recebido medicação e sido liberada para retornar para casa.

O quadro de saúde acabou se agravando. Maria Luiza foi atendida no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, e posteriormente transferida para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau. Diante das circunstâncias da morte, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar a sequência dos fatos e verificar se houve falhas nos atendimentos prestados.

A investigação exigiu uma análise minuciosa. Foram examinados prontuários médicos das instituições envolvidas, documentos do Samu relacionados aos atendimentos e ao transporte da paciente, além de outros registros considerados importantes para reconstruir toda a cronologia do caso.

Ao longo da apuração, a polícia realizou 20 oitivas entre testemunhas e investigados. Também foram produzidos três laudos periciais especializados e, posteriormente, duas perícias complementares, que ajudaram a esclarecer tanto a causa da morte quanto as condutas adotadas durante os atendimentos médicos.

Segundo a conclusão da Polícia Científica, Maria Luiza morreu em decorrência de uma síndrome infecciosa sistêmica aguda grave. Trata-se de uma infecção que se espalha pelo organismo e provoca uma resposta intensa do corpo, podendo comprometer órgãos vitais e evoluir rapidamente para um quadro de extrema gravidade.

Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a autoridade policial decidiu pelo indiciamento de dois médicos pelos crimes previstos no artigo 121, parágrafo 3º, do Código Penal, combinado com dispositivos legais relacionados ao dever profissional de agir para evitar determinado resultado.

A Polícia Civil destacou que, durante toda a tramitação do inquérito, foi garantido aos advogados dos investigados acesso integral aos autos. O procedimento agora segue para análise do Ministério Público, que poderá oferecer denúncia à Justiça, solicitar novas diligências ou adotar entendimento diferente sobre os fatos apurados.


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