Doenças crônicas avançam e pressionam sistemas de saúde no mundo, aponta OCDE

Relatório indica crescimento contínuo de casos, impacto econômico e destaca prevenção como caminho mais eficaz.

Foto: Marcello Casal Jr. [Agência Brasil]

As doenças não transmissíveis (DNTs), como problemas cardíacos, câncer, diabetes e enfermidades respiratórias crônicas, seguem em expansão global e já afetam um número significativamente maior de pessoas em comparação à geração anterior. A tendência, segundo novo levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, é de agravamento desse cenário nas próximas décadas.

Divulgado nesta quarta-feira (15/04/26), o relatório mostra que, embora a população esteja vivendo mais, esse aumento da longevidade vem acompanhado, com frequência, de múltiplas doenças crônicas simultâneas. Esse quadro traz consequências diretas tanto para a qualidade de vida quanto para a economia.

De acordo com o documento, as DNTs reduzem a expectativa de vida, comprometem o bem-estar e limitam a capacidade de trabalho das pessoas. Como efeito cascata, há aumento dos खर्चos com saúde e queda na produtividade, impactando o desempenho econômico dos países.

Apesar disso, a OCDE ressalta que parte significativa desses efeitos pode ser evitada. A entidade aponta que intervenções focadas em fatores de risco, diagnóstico precoce e melhoria no tratamento são estratégias fundamentais para conter o avanço dessas doenças.

Prevenção como estratégia central

A análise destaca que investir na prevenção traz ganhos sociais e financeiros superiores ao tratamento tardio. Países que conseguem reduzir fatores de risco como obesidade e tabagismo não apenas preservam vidas, como também diminuem a pressão sobre os sistemas de saúde.

Mesmo com décadas de políticas públicas voltadas ao tema, os números continuam em alta. Entre 1990 e 2023, houve aumento de 36% na incidência de câncer e de 49% na doença pulmonar obstrutiva crônica. Já as doenças cardiovasculares cresceram mais de 27% no mesmo período.

Em 2023, os dados mostram que uma em cada dez pessoas nos países da OCDE vivia com diabetes, enquanto uma em cada oito apresentava algum tipo de doença cardiovascular.

Por que os casos continuam crescendo

O relatório aponta três fatores principais para a expansão das DNTs:

  • A redução de riscos como poluição do ar, tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo foi parcialmente anulada pelo aumento expressivo da obesidade.
  • O avanço nos tratamentos elevou a taxa de sobrevivência, fazendo com que mais pessoas convivam por mais tempo com doenças crônicas, o que aumenta a demanda por cuidados de saúde.
  • O envelhecimento da população global amplia o número de pessoas nas faixas etárias mais vulneráveis a essas enfermidades.

Projeções preocupantes

Mesmo que fatores como risco, sobrevivência e crescimento populacional se mantenham estáveis, a OCDE projeta um aumento de 31% nos novos casos de doenças crônicas entre 2026 e 2050 apenas devido ao envelhecimento da população.

Além disso, a chamada multimorbidade — quando uma pessoa apresenta duas ou mais doenças — deve crescer 75% nos países da OCDE (70% na União Europeia). Já os gastos anuais por pessoa com saúde relacionados às DNTs devem subir mais de 50%.

Impacto direto na vida das pessoas

Os dados reforçam que o avanço das doenças crônicas não é apenas uma questão de saúde, mas também de qualidade de vida e sustentabilidade econômica. A ampliação de políticas de prevenção, acesso ao diagnóstico e tratamentos mais eficientes aparece como caminho essencial para reduzir impactos futuros.

Com informações da Agência Brasil


▶️🛜Siga nossas redes sociais: Youtube | Instagram | X (antigo Twitter) | Facebook | Threads | Bluesky