Neste domingo, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é marcado por reflexões sobre o papel feminino na sociedade e os desafios que ainda precisam ser enfrentados. O melhor nesta data especial seria só mostrar os dados positivos, mas isso nos leva a pensar que está tudo bem. E infelizmente essa não é a realidade que precisa ser enfrentada.
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A data é essencial para refletir e agir sobre dados divulgados por organismos internacionais e por órgãos oficiais do Brasil. Eles mostram avanços na participação econômica e social das mulheres, mas também evidenciam desigualdades estruturais, e infelizmente, os altos índices de violência.
ONU Mulheres
Segundo levantamento da ONU Mulheres, cerca de 9,2% das mulheres e meninas no mundo vivem em situação de extrema pobreza. A organização aponta que, com políticas públicas adequadas, esse índice poderia cair para 2,7% até 2050, o que teria impacto significativo na economia global.
Mesmo com avanços nas últimas décadas, a desigualdade de gênero ainda é uma realidade em diversos países. Dados apresentados pela ONU indicam que um terço das mulheres no mundo sofre violência física ou sexual ao longo da vida, demonstrando que a proteção e a garantia de direitos continuam sendo temas centrais nas políticas públicas voltadas às mulheres.
O relatório global “Garantindo e Fortalecendo o Acesso à Justiça para Todas as Mulheres e Meninas” revela que mulheres detêm apenas 64% dos direitos legais em relação a homens. O estudo também mostrou que mais de metade dos países não definem agressão com base em consenso segundo a lei e 74% das nações ainda permitem casamento infantil.
Cerca de 40,2 milhões de domicílios brasileiros são chefiados por mulheres
No Brasil, o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM 2025) reúne centenas de indicadores sobre a realidade feminina no país. O documento, coordenado pelo Ministério das Mulheres, reúne 328 indicadores produzidos por diferentes órgãos públicos, abordando temas como mercado de trabalho, participação política, violência, educação e estrutura familiar.
Entre os dados mais recentes do relatório está o aumento das notificações de violência contra mulheres no país. Em 2023 foram registradas 302.856 notificações de violência doméstica, sexual e outras formas de violência contra mulheres no sistema de saúde, sendo a violência física responsável por 56,8% dos casos e a violência sexual por 22,8% das notificações.
O levantamento também mostra aspectos da organização familiar no país. Em 2023 havia cerca de 40,2 milhões de domicílios brasileiros chefiados por mulheres, refletindo a presença feminina na liderança das famílias e na manutenção da renda doméstica.
Outro ponto abordado nos dados oficiais é a presença feminina em cargos de liderança e tomada de decisões. De acordo com as estatísticas reunidas no relatório socioeconômico, as mulheres ocupavam cerca de 39,3% dos cargos gerenciais no país, enquanto a participação feminina nos tribunais superiores era de 18,8% em 2024, evidenciando que ainda há diferenças na ocupação de espaços de poder.
Na política, a participação feminina também apresentou crescimento nas eleições municipais mais recentes. Segundo o mesmo relatório, 30,6% das candidatas a prefeita eleitas em 2024 venceram as eleições, índice superior ao registrado em 2020, quando o percentual foi de 26,8%.
Além das questões econômicas e políticas, organismos internacionais também destacam a importância do trabalho de cuidado, frequentemente exercido por mulheres. Estudos citados pela ONU Mulheres indicam que milhões de horas diárias são dedicadas por mulheres e meninas ao trabalho de cuidado não remunerado, atividade essencial para o funcionamento das famílias e das comunidades.
Os dados reunidos por organismos internacionais e por instituições públicas mostram que as mulheres têm ampliado sua participação na economia, na política e em diferentes áreas da sociedade. Ao mesmo tempo, os indicadores reforçam que a redução da violência, o combate às desigualdades e a ampliação de oportunidades continuam sendo desafios importantes para garantir direitos e qualidade de vida para mulheres e meninas.
Violência contra a mulher em Santa Catarina
Em 2025, Santa Catarina registrou 52 feminicídios, entre eles o assassinato de três crianças. No mesmo período, foram contabilizadas 255 tentativas de feminicídio, o segundo maior número do país. Além disso, mais de 31 mil mulheres solicitaram medidas protetivas contra companheiros ou ex-companheiros.
Os dados foram apresentados na manhã da última quinta-feira (6/03/26) no seminário “Vivas e Decididas – Contra o Feminicídio”, promovido pela Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O ato evento reuniu cerca de mil pessoas, entre representantes de diferentes poderes e instituições públicas para discutir responsabilidades e cobrar ações concretas no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Neste Dia Internacional da Mulher, os números ajudam a dimensionar essa realidade: avanços importantes já foram registrados, mas a busca por igualdade de oportunidades e proteção segue como uma pauta permanente em políticas públicas e debates sociais.
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