Dia dos Pais deve movimentar comércio de SC com gasto médio recorde de R$ 255

Intenção de compras cresce 6,1% no Estado, mesmo com juros altos; Blumenau está entre as cidades que registraram queda no valor previsto para presentes.

Imagem (ilustrativa): OBlumenauense

O crescimento da intenção de compras para o Dia dos Pais em Santa Catarina vai além de um simples aumento nas vendas. A pesquisa da Fecomércio SC revela um consumidor que continua disposto a gastar, mas que mudou a forma de comprar, escolhe presentes mais tradicionais, pesquisa preços e evita assumir novas dívidas.

Os números também mostram que o bom desempenho estadual esconde realidades bastante diferentes entre as regiões.

Comportamento de consumo mudou nos últimos anos

O principal indicador do levantamento é o gasto médio previsto de R$ 255,60 por consumidor, o maior da série histórica iniciada em 2018. O valor representa crescimento nominal de 6,1% sobre os R$ 240,90 registrados em 2025. Quando o efeito da inflação é retirado da conta, porém, a alta cai para 1,8%, indicando que o aumento do consumo foi mais moderado do que o crescimento nominal sugere.

A própria série histórica mostra como o comportamento mudou nos últimos anos. Em 2018, o gasto médio era de R$ 158,10. Houve pouca variação até 2021, quando chegou a R$ 164,20. A partir de 2022 começou uma aceleração mais consistente, passando para R$ 183,70, depois R$ 194,80 em 2023, R$ 231,10 em 2024, R$ 240,90 em 2025 e agora alcançando R$ 255,60. Em valores corrigidos pela inflação, a recuperação também é evidente, superando o pico anterior registrado em 2025.

O desempenho chama atenção porque ocorre em um ambiente econômico considerado desfavorável para o varejo. Segundo a Fecomércio, o setor convive com juros em patamar elevado há mais de quatro anos e saldo negativo de empregos em 2026. Mesmo assim, a pesquisa aponta que 86,4% dos consumidores afirmam estar em situação financeira igual ou melhor do que há um ano. Paralelamente, o comércio varejista catarinense acumulou crescimento de 4,6% em maio, terceiro melhor resultado do país, indicando que o consumo das famílias continua sustentando as vendas.

Blumenauenses devem gastar menos do que em 2025

Outro aspecto importante é a desigualdade entre as cidades pesquisadas. Enquanto a média estadual cresceu 6,1%, alguns municípios apresentaram desempenho muito acima desse índice. Criciúma liderou com alta de 42,3%, elevando o gasto médio de R$ 232 para R$ 330,20.

Além disso, 96,7% dos entrevistados da cidade disseram estar em situação financeira igual ou melhor que no ano anterior, um dos maiores percentuais do levantamento. Itajaí registrou crescimento de 20,3%, passando de R$ 240 para R$ 288,80, enquanto Joinville avançou 15,2%, de R$ 175 para R$ 201,60. Florianópolis praticamente ficou estável, com crescimento de apenas 1,6%, passando de R$ 236 para R$ 239,70.

Na outra ponta, Blumenau, Lages e Chapecó apresentaram retração. Lages teve a maior queda, de 16,1%, reduzindo o gasto médio de R$ 235 para R$ 197,20. Blumenau caiu 9,4%, passando de R$ 320 para R$ 289,90, enquanto Chapecó recuou 2,6%, de R$ 248 para R$ 241,50.

Apesar disso, a percepção financeira continua positiva nessas cidades: 89,3% dos consumidores de Blumenau, 87,7% de Lages e 75% de Chapecó afirmam que sua condição financeira permaneceu igual ou melhor do que há um ano. Isso indica que a redução da intenção de gastos pode estar mais ligada à cautela do consumidor do que à piora da renda.

A pesquisa também evidencia que o consumidor continua concentrando as compras na última hora. Ao todo, 42,7% pretendem comprar durante a semana do Dia dos Pais e outros 15% apenas na véspera, totalizando 57,7% das compras concentradas nos dias finais. Apenas 27% afirmam que pretendem comprar com até duas semanas de antecedência. Aqueles que planejam adquirir os presentes com mais de duas semanas representam 9,4%, enquanto somente 2,7% fazem compras com mais de um mês de antecedência.

Que presente dar ao pai?

O levantamento confirma também que o consumidor continua apostando em presentes de menor valor agregado. O vestuário lidera com ampla vantagem, sendo escolhido por 42,7% dos entrevistados. Na sequência aparecem calçados, com 21,1%, e perfumes e cosméticos, com 19,6%. Somadas, essas três categorias concentram 83,4% das intenções de compra. Já eletroeletrônicos representam apenas 5,2%, artigos de decoração e outros aparecem com 3,3% cada, artigos automotivos somam 2,6%, livros 1,4% e celulares apenas 0,5%.

Forma de pagamento

A forma de pagamento talvez seja um dos indicadores que melhor retratam a mudança no comportamento do consumidor. O PIX assumiu a liderança, citado por 31,4% dos entrevistados, contra 26% no ano passado, crescimento de 5,4 pontos percentuais. Em sentido oposto, o cartão de débito caiu de 20,6% para 15,1%. O crediário praticamente perdeu metade da participação, passando de 5,2% para 2,7%.

Já o pagamento em dinheiro aumentou de 16,2% para 18,9%, enquanto o parcelamento no cartão de crédito subiu levemente, de 20,3% para 21,7%. O comportamento indica preferência por pagamentos imediatos e redução do uso de modalidades tradicionais de financiamento.

Lojas físicas ou online?

Mesmo com o crescimento do comércio eletrônico, as lojas físicas continuam liderando. O comércio de rua foi citado por 51,5% dos consumidores, ligeiramente acima dos 50,9% registrados em 2025. As compras pela internet cresceram de 22,1% para 22,8%, consolidando-se como a segunda principal opção. Já os shoppings perderam espaço, caindo de 20,6% para 17,8%. Outro dado curioso é o aumento das compras em camelôs (vendedores ambulantes), que passaram de 1,3% para 2,9%, maior crescimento proporcional entre todos os canais pesquisados.

Preço ou qualidade?

Na hora de decidir onde comprar, o consumidor demonstra preocupação crescente com economia. O preço lidera os fatores de decisão, citado por 23,7% dos entrevistados, seguido de muito perto pelas promoções, com 23,1%. A qualidade dos produtos aparece em terceiro lugar, com 19%, enquanto o atendimento responde por 16%. Experiência anterior com o estabelecimento (5,9%), segurança (4%), facilidade de pagamento (3,2%), variedade de marcas (2%) e presença digital da loja (2%) aparecem bem atrás, mostrando que custo-benefício continua sendo o principal critério de escolha.

Onde pretende comemorar o Dia dos Pais?

Os hábitos de comemoração também ajudam a explicar o perfil do consumidor. Quase metade dos entrevistados, 48%, pretende celebrar a data com almoço ou jantar na casa de familiares. Outros 30% afirmam que não pretendem fazer nenhum passeio. Apenas 15,2% planejam levar o pai para um restaurante, enquanto viagens (1,5%) e atividades ao ar livre (1,2%) aparecem com participação muito pequena. O resultado reforça que o Dia dos Pais continua sendo uma data mais ligada ao convívio familiar do que ao consumo de lazer.

Redes sociais influenciam a decisão de compra

Outro sinal da mudança de comportamento aparece nos canais que influenciam a decisão de compra. As redes sociais lideram com 27,3%, seguidas de perto pelas vitrines e exposição de produtos, com 25%. A recomendação de amigos e familiares aparece em terceiro lugar, com 16,7%.

Em contraste, canais tradicionais têm influência bastante reduzida: televisão representa apenas 2,3%, rádio 1,1% e jornais 0,4%. O dado mostra que a decisão de compra está cada vez mais conectada ao ambiente digital e à experiência visual oferecida pelas lojas.

Conclusão

No conjunto, a pesquisa indica que o consumidor catarinense continua disposto a movimentar o comércio, mas faz isso de forma muito diferente daquela observada há poucos anos. Ele gasta mais do que em 2025, mas compara preços, prefere presentes tradicionais, concentra as compras na reta final, privilegia pagamentos instantâneos e demonstra maior preocupação com o custo-benefício. Para o varejo, o desafio já não é apenas atrair clientes, mas convencer um consumidor mais informado, seletivo e menos disposto a comprar por impulso.

A pesquisa foi realizada entre 22 de junho e 12 de julho de 2026, com 2.100 entrevistas presenciais em Blumenau, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Joinville e Lages. Confira os dados completos:

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