Depois de 28 anos fora da Copa do Mundo, a Noruega volta forte para enfrentar o Brasil neste domingo (5/07)

O que os torcedores podem esperar dos dois times? Quem são os principais jogadores e como eles atuam em campo? Confira a análise.

Imagem (ilustrativa): OBlumenauense

Neste domingo (5/07/26), às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey (EUA), o Brasil encara a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Do outro lado está uma seleção que ficou fora do Mundial por quase três décadas. A última disputada foi em 1998, na França.

Perdeu boas chances em 2002 e 2006, além de todas as edições seguintes, até parecer que aquele time competitivo do fim dos anos 90 tinha virado só uma lembrança distante. Voltou agora e impondo respeito: nas Eliminatórias, venceu os oito jogos que disputou, fez 37 gols, levou só cinco e ainda passou por cima da tetracampeã Itália. Sem zebra, sem sufoco de última rodada. Uma campanha praticamente perfeita.

A Noruega que chega para enfrentar o Brasil em 2026 é um time que não gosta de enrolar. Quando recupera a bola, tenta chegar rápido ao ataque, procura os espaços e confia muito no poder de decisão de Erling Haaland. Funciona. Mas também cobra um preço.

Até aqui, os noruegueses marcaram 10 gols e sofreram 8. Ou seja, quase sempre entregam emoção. A equipe ainda não passou uma partida sem ser vazada no torneio, mas também mostrou que pode incomodar qualquer adversário quando consegue acionar seus principais jogadores perto da área.

O desenho da Noruega parte de um 4-3-3, com Martin Ødegaard como cérebro do time, Antonio Nusa acelerando pelos lados e Haaland como referência no ataque. O centroavante não é apenas o homem do último toque. Ele prende zagueiros, abre espaço para quem vem de trás e transforma bolas aparentemente simples em chance clara de gol.

A campanha começou com uma vitória por 4 a 1 sobre o Iraque, em uma partida de domínio territorial e boa produção ofensiva. Depois veio o triunfo por 3 a 2 sobre Senegal, jogo mais aberto, mais brigado e decidido pela força da equipe dentro da área. Contra a França, a Noruega mudou quase todo o time, poupou titulares importantes e acabou derrotada por 4 a 1. No mata-mata, voltou com força máxima e passou pela Costa do Marfim por 2 a 1, com gol decisivo de Haaland nos minutos finais.

Esse caminho ajuda a entender o momento da seleção comandada por Ståle Solbakken. A Noruega é agressiva, objetiva e muito perigosa quando encontra campo para correr. Só que sofre quando precisa se defender por longos períodos. Em alguns jogos, a defesa precisou fazer muitos cortes, o goleiro Ørjan Nyland foi bastante exigido e os espaços apareceram com frequência.

O Brasil vive outro tipo de Copa. Depois de um empate por 1 a 1 com o Marrocos na estreia, a equipe de Carlo Ancelotti foi ganhando corpo. Venceu o Haiti por 3 a 0, bateu a Escócia pelo mesmo placar e passou pelo Japão por 2 a 1, em uma partida em que teve grande domínio, mas precisou buscar a virada.

A Seleção Brasileira tem números mais equilibrados. São 9 gols marcados e apenas 2 sofridos. A posse média passa de 57%, o aproveitamento nos passes chega a 90% e boa parte das finalizações vem de dentro da área. É um time que tenta controlar o ritmo, circular a bola e escolher melhor o momento de acelerar.

No meio-campo, Casemiro dá sustentação, Bruno Guimarães faz a ligação e aparece como um dos principais garçons do time. Na frente, Vinícius Jr. virou o grande ponto de desequilíbrio. Ele parte da esquerda, chama marcação, arranca, finaliza e abre espaços para Matheus Cunha, que ganhou a vaga no ataque e deu mais mobilidade ao setor.

A comparação entre Brasil e Noruega mostra dois caminhos bem diferentes. O Brasil tenta mandar no jogo pela posse, pela ocupação dos espaços e pela paciência na construção. A Noruega aceita viver no limite. Defende mais baixo quando precisa, aguenta pressão e tenta resolver em poucas jogadas, quase sempre passando por Ødegaard, Nusa e Haaland.

O duelo também carrega um detalhe histórico incômodo para os brasileiros. A Noruega nunca perdeu para o Brasil em confrontos entre as seleções e venceu o único encontro em Copas do Mundo, em 1998, por 2 a 1. Não decide jogo, claro. Mas coloca uma pitada a mais de tensão.

Para o Brasil, o desafio passa por cortar o abastecimento de Haaland e impedir que Ødegaard pense com liberdade. Também será preciso cuidar das transições rápidas, especialmente quando os laterais avançarem. Qualquer perda de bola mal protegida pode virar problema.

Para a Noruega, o caminho é outro: resistir à posse brasileira, fechar o corredor de Vinícius Jr. e tentar transformar cada recuperação de bola em ataque perigoso. Se conseguir acelerar o jogo, entra no seu território preferido. Se for obrigada a correr atrás da bola por muito tempo, pode se desgastar.

No fim, a partida coloca frente a frente duas ideias bem claras. De um lado, o Brasil do controle, da posse e da construção mais paciente. Do outro, a Noruega da explosão, da bola vertical e de um atacante que não precisa de muito para mudar a história de um jogo. É controle contra impacto. E isso, em Copa do Mundo, costuma render bons capítulos.


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