A oitiva do gerente de Esgoto Sanitário do Samae, Humberto Brusadelli Pereira da Silva, na CPI do Esgoto da Câmara de Blumenau, na manhã desta segunda-feira (8/12/25), trouxe ao debate público um retrato numérico que vai além da obra em si. Mais do que o que foi feito, chamou atenção o volume do que ainda falta para que os sistemas previstos passem a funcionar plenamente, em projetos que se arrastam há mais de uma década.
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Nos convênios com a Funasa, o planejamento previa, ao todo, 32,8 quilômetros de redes de esgoto:
- 17,8 km na região da Rua José Reuter
- 15 km na Itoupavazinha
Do total, cerca de 27,6 quilômetros foram efetivamente instalados, o que significa que faltaram aproximadamente 5,2 quilômetros para completar o que havia sido projetado. No entanto, não é apenas a extensão que ficou pendente, mas o fato de que nenhum desses 32,8 quilômetros entrou em operação até hoje.
Além disso, faltou ativar uma estação elevatória na José Reuter e cinco estações elevatórias na Itoupavazinha, todas construídas, mas paradas. Também faltaram ser construídas as estações de tratamento de esgoto, que eram parte essencial do projeto. Sem elas, mesmo a rede instalada não pode cumprir sua função. Ou seja, falta o sistema completo para que ela funcione.

No caso do PAC, os números mostram um descompasso ainda mais amplo entre planejamento e entrega. O convênio previa quase 139 quilômetros de redes e mais de 7,6 mil ligações domiciliares. Até agora, apenas cerca de 17,5 quilômetros foram executados, o que significa que ainda faltam aproximadamente 121 quilômetros para atingir a meta original.
Das ligações previstas, menos de mil foram efetivadas, restando mais de 6,6 mil que ainda não chegaram às residências. Atualmente, apenas a Itoupava Norte conta com sistema em operação. Em bairros como Bom Retiro, Ribeirão Fresco e Garcia, o que ainda falta é justamente a etapa decisiva: a ativação e o funcionamento regular das redes.
Houve um acordo para que a concessionária assumisse parte dessas implantações, mas os trabalhos foram interrompidos em 2023, com somente uma fração do que estava previsto concluída. Do ponto de vista administrativo, isso cria um cenário em que parte da responsabilidade foi redistribuída, mas a entrega final à população ainda segue pendente.
Redes prontas antes da concessão ainda aguardam a fase final: operar
Outro dado que ajuda a dimensionar o impacto do tempo sobre essas estruturas é que os sistemas da José Reuter e da Itoupavazinha, que somam cerca de 27 quilômetros, foram concluídos antes da concessão do serviço de esgoto. Mesmo assim, toda essa extensão ainda aguarda a entrada em operação.
Agora, além de faltar ativar esses sistemas, também falta avaliar tecnicamente se eles continuam em condições de uso. O gerente informou que será necessária a contratação de uma empresa especializada para essa verificação. Na prática, o que antes era uma pendência operacional, passa a exigir também uma análise estrutural.
“Troca PAC”: mais de R$ 91 milhões previstos e entregas em ritmos diferentes
Durante o depoimento, também foi detalhado o acordo conhecido como “Troca PAC”, firmado em 2012. Pelo modelo, o Samae ficaria responsável pelas obras na região Norte, enquanto a concessionária assumiria áreas mais centrais da cidade. O valor projetado para esse conjunto de intervenções ultrapassa R$ 91 milhões.
Na leitura política do acordo, o que se observa é uma divisão de responsabilidades com ritmos diferentes de execução. Parte das obras avançou, parte ficou paralisada, e uma parcela relevante ainda não chegou à fase de funcionamento pleno.
CPI aponta que mais de 40 km seguem sem uso e estima prejuízo de até R$ 50 milhões
Ao reunir os dados apresentados, o presidente da CPI, vereador Diego Nasato (NOVO), apontou que mais de 40 quilômetros de redes de esgoto, já instaladas, seguem sem uso há mais de 15 anos em Blumenau. Ele também destacou que, durante esse período, a população enfrentou dificuldades com obras nas ruas, sem que o serviço fosse efetivamente disponibilizado.
Outro ponto levantado foi que Blumenau possui uma das tarifas de esgoto mais altas de Santa Catarina e que essas estruturas poderiam estar gerando retorno ao sistema. Segundo a estimativa citada na CPI, o valor investido em redes que ainda não entraram em funcionamento pode chegar a R$ 50 milhões, sem considerar a arrecadação que deixou de ocorrer ao longo dos anos.
No fechamento da análise, Nasato afirmou que será necessário ouvir gestões anteriores, para compreender por que sistemas que chegaram a ser implantados não avançaram para a etapa final de funcionamento.
Confira o vídeo com os dados apresentados pelo gerente do SAMAE





