Enquanto empresários ouviam atentos as projeções para os próximos meses, um ponto ficou claro na reunião realizada na noite desta segunda-feira (11/05/26), na sede da ACIB: o El Niño deve voltar a influenciar o clima em Blumenau. O que ainda não se sabe é qual será a intensidade dos impactos na cidade e em toda a região do Vale do Itajaí.
O encontro reuniu representantes da Defesa Civil de Blumenau e integrantes da diretoria da associação empresarial. Participaram o secretário municipal de Defesa Civil, coronel Carlos Olimpio Menestrina; a meteorologista Emily Ramos; e o agente municipal de Defesa Civil Marcos Aurélio Dias.
Segundo Emily, o aquecimento das águas do oceano vem sendo observado desde fevereiro e deve continuar nos próximos meses. Os modelos climáticos atuais apontam para um El Niño de forte intensidade, com tendência de aumento no volume de chuvas, principalmente durante a primavera.
A previsão indica chuva acima da média entre setembro e novembro, podendo alcançar cerca de 200 milímetros além do normal no trimestre. Apesar disso, a meteorologista reforçou que ainda não há como prever situações específicas, como enchentes ou o nível do Rio Itajaí-Açu, com tanta antecedência.
“O fato é: teremos o El Niño, como já tivemos diversas vezes. O que ainda não é possível prever é como ele vai se comportar e quais vão ser os impactos na nossa região. Hoje conseguimos observar tendências climáticas para os próximos meses. Mas prever uma enchente específica, o nível do rio, só é possível com maior precisão em um prazo mais curto, algo em torno de 15 dias”, afirmou.
Durante a reunião, Menestrina destacou que a Defesa Civil monitora constantemente os cenários climáticos e mantém ações de prevenção em andamento. Segundo ele, o município realiza manutenção dos diques, limpeza de ribeirões e revisão dos protocolos de atuação em situações de emergência.
O secretário também informou que a Universidade Regional de Blumenau (FURB) está concluindo um estudo atualizado sobre as cotas de enchente da cidade. Outro tema abordado foi a barragem de José Boiteux, considerada estratégica para a contenção das cheias no Vale do Itajaí.
Conforme anunciado no encontro, o Governo do Estado deve assinar na próxima segunda-feira (18/05/26) a ordem de serviço para a modernização completa da estrutura, incluindo automação e operação remota.
Menestrina alertou ainda que os riscos associados ao El Niño não se resumem às enchentes. Segundo ele, os deslizamentos de terra continuam sendo uma das maiores preocupações por causa da dificuldade de previsão antecipada.
“A enchente conseguimos monitorar e prever com antecedência. Já os deslizamentos ainda são muito difíceis de identificar previamente”, afirmou o secretário.
A Defesa Civil também reforçou a necessidade de preparação preventiva por parte da população e das empresas. De acordo com Menestrina, os sistemas atuais permitem emitir alertas com antecedência suficiente para mobilização, mas é importante que cada família e empresa tenha seu próprio plano de contingência.
“Hoje temos estrutura, monitoramento e capacidade de emitir avisos antecipados à população. Mas é fundamental que empresas e famílias tenham seus próprios planos de contingência e saibam como agir em caso de enchente”, destacou.
O secretário lembrou ainda que, após a entrada em operação da barragem de José Boiteux, nenhuma enchente em Blumenau ultrapassou os 13 metros. Ele também ressaltou que comparações com a enchente histórica de 1983 precisam considerar que, naquela época, a região ainda não contava com os atuais sistemas de barragens, monitoramento e alerta.
Ao final do debate, a diretoria da ACIB defendeu a criação de um espaço permanente de comunicação com o poder público para alinhamento de informações e ações preventivas ligadas ao El Niño.
“O El Niño vai acontecer, mas ainda não sabemos quais os impactos que ele vai causar. O que precisamos fazer agora é nos preparar. Eventos de chuva intensa podem ocorrer a qualquer momento, e essa preparação precisa envolver tanto o poder público quanto a iniciativa privada”, afirmou Menestrina.





