Não é novidade que os veículos elétricos estão, cada vez mais, dividindo espaço com os modelos tradicionais nas ruas do Brasil e do mundo. Seja para uso pessoal ou no transporte coletivo, a tecnologia avança — mas, para que ela se consolide de vez, não bastam apenas boas intenções. É preciso ter peças chegando no ritmo certo, profissionais qualificados para mexer nessa nova mecânica e uma cadeia produtiva bem ajustada.
Foi pensando nessa engrenagem que a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) resolveu colocar a mão na massa. A pasta criou e passou a coordenar um Grupo de Trabalho (GT) focado especificamente em eletromobilidade. O objetivo é simples na teoria, mas complexo na prática: reunir diferentes atores para discutir propostas e entender como esse segmento pode se desenvolver em Santa Catarina, mapeando desde as necessidades da cadeia produtiva até os potenciais que o território catarinense guarda para o setor.
O time montado é misto. Do lado do governo, participam a Secretaria da Fazenda, a InvestSC, a Secretaria de Articulação Internacional e a Superintendência de Desenvolvimento das Regiões Metropolitanas. Da iniciativa privada e do setor produtivo, sentam-se à mesa a Federação das Indústrias de SC (Fiesc), o Senai, o IEL, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva e empresas como a WEG e a Tupy. Tudo sob a batuta da Seplan.
O pontapé inicial já foi dado: a primeira reunião do GT rolou na última sexta-feira, 20 de fevereiro. E a lista de tarefas não é curta. O grupo tem metas bem definidas, que incluem:
- identificar oportunidades, gargalos, vantagens competitivas e desafios para o setor no estado;
- olhar para fora e avaliar experiências nacionais e internacionais em políticas públicas, arranjos produtivos, zonas econômicas especiais e instrumentos de incentivo;
- propor ações estratégicas e políticas públicas focadas em atração de investimentos, inovação, sustentabilidade e, claro, capacitação de mão de obra;
- estudar a viabilidade de mecanismos específicos de estímulo, como zonas econômicas especiais ou ZPEs (zonas de processamento de exportação);
- entregar, ao final, um relatório completo com um diagnóstico da cadeia de eletromobilidade e recomendações para o curto, médio e longo prazo.
E o time ainda pode crescer: outras entidades da administração pública, representantes da iniciativa privada, associações empresariais e instituições de ciência e tecnologia também poderão ser convidadas a integrar o grupo.
Enquanto o GT começa a desenhar os rumos do setor em Santa Catarina, os números mostram que a procura pelos veículos elétricos não para de subir. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o mercado brasileiro de carros elétricos e híbridos encerrou 2025 com 223.912 unidades vendidas. É um recorde histórico e um crescimento de 26% em relação ao ano anterior, quando foram emplacados 177.358 exemplares.





