No próximo domingo (31/05/26), Florianópolis recebe a 24ª edição do Ironman Brasil — o maior evento de triathlon da América Latina, disputado nas águas e avenidas em Jurerê Internacional. Entre os milhares de atletas que vão encarar 3,8 km de natação, pedalar 180 km e ainda correr uma maratona completa logo depois, tem uma mulher com uma história que vai muito além do esporte.

Estamos falando de Viviane Dick, em grande forma aos 46 anos. Mãe, educadora física e representante comercial. Natural de Monte Carlo (SC), a atleta amadora já mora em Blumenau há 25 anos. Viviane passou por um momento delicado na vida: um casamento de 28 anos desfeito, o coração literalmente falhando e a necessidade de reinventar a própria rotina do zero.
O infarto veio no meio do redemoinho emocional da separação. “Eu ocupei a minha mente com algo que já tinha como sonho”, ela conta, “até para não cair em uma depressão, o que poderia ter acontecido caso não fizesse algo que gostava.”

O Ironman já era um desejo antigo, mas estava sempre sendo adiado. Viviane queria esperar o filho crescer e tinha receio de que a rotina pesada de treinos atrapalhasse o casamento. Quando se viu sozinha, depois do infarto e sem sequelas, percebeu que não tinha mais motivo para esperar.
Seis meses. Foi o tempo que ela aguardou, entre licença médica e acompanhamento do cardiologista, até ouvir o que queria: estava liberada. Aí não teve mais conversa. A decisão de encarar o Ironman foi tomada ali mesmo, com o coração recuperado e a cabeça já focada nos treinos.
Só existiam dois detalhes: ela não sabia nadar e tinha muito medo do mar. Superou isso também. Com ajuda de profissionais, foi enfrentando a água aos poucos, até chegar onde está hoje: pronta para entrar no oceano de Jurerê Internacional na largada de uma prova que movimenta triatletas do Brasil inteiro e de vários países.
Em um ano e meio no triathlon, já são cinco provas disputadas — incluindo distâncias menores e o Half Ironman —, tudo servindo de base para o próximo domingo. A preparação para o Full não é brincadeira. Um ano de treinos sob o comando do treinador Yan Leduc, da AMX Sports. Volumes intensos, semanas puxadas e o relógio sempre disputando espaço com o trabalho e a criação do filho Davi, de 11 anos. Mas ela garante que dá para fazer tudo com organização. E vem provando isso todos os dias.

O menino, aliás, é um dos maiores fãs. Acompanha as provas e até já participou de algumas. Não é a primeira vez que Viviane enfrenta longas distâncias. São dez anos na corrida de rua, além da participação em sete maratonas e uma ultramaratona. Mas o Full Ironman — as 140,6 milhas que fazem alguém merecer o título — será a estreia de verdade.
“Largar nessa prova é uma grande prova de superação para mim”, diz a atleta. A disputa acontece em Jurerê Internacional, palco que ao longo dos anos se consolidou como um dos destinos mais desejados por triatletas amadores e profissionais do mundo. Mas, para ela, a magia não está no cenário. Está no que representa chegar até esse lugar.
Um infarto, uma separação e o medo do mar. Seis meses esperando a liberação médica. Cinco provas completadas. Um filho ao lado e um sonho que se recusou a ser engavetado. Vai ser longo esse domingo, mas Viviane já provou que conhece muito bem o poder da superação.




