Em março de 2024, cerca de 40 quilos de comida “iam para o lixo” todo mês na Escola Básica Municipal Bilíngue Professor Rodolfo Hollenweger, em dois turnos de merenda. Sete meses depois, o desperdício havia caído para 990 gramas — menos de um quilo no mês inteiro. A unidade fica localizada na Rua Prof. Herman Lange, no bairro Fidélis, em Blumenau
A virada não veio de uma campanha de cartazes ou de um regulamento novo. Veio dos próprios alunos, da Educação Infantil ao 9º ano, que passaram a pesar, registrar e analisar tudo o que sobrava no prato — transformando o refeitório em sala de aula.

O projeto “A Matemática no Desperdício da Merenda Escolar” foi implantado e integra conteúdos de matemática, ciências e língua portuguesa a situações reais do cotidiano escolar. Na prática, os estudantes aplicaram questionários, criaram murais com a pesagem diária dos resíduos, leram cardápios, analisaram o consumo e refletiram sobre quanto dinheiro público é gasto com a alimentação escolar.
O processo também puxou a comunidade para dentro da escola. Famílias, servidores e alunos participaram juntos do concurso que criou e batizou o mascote do projeto: o Zé Sustentável. A próxima etapa prevê o reaproveitamento dos restos em uma composteira para abastecer a horta escolar.

A secretária municipal de Educação, Simone Probst, ressalta que a proposta conecta o currículo ao mundo real. “A proposta articula conteúdos curriculares com práticas do dia a dia, permitindo que os estudantes avancem na aprendizagem ao mesmo tempo em que desenvolvem a compreensão sobre alimentação, sustentabilidade e educação fiscal”, afirma.
Da balança ao mural, do mural à consciência: o que começou como um registro virou hábito. O prato quase vazio virou símbolo de uma geração que aprende que desperdício também tem conta a prestar.








