Ainda era cedo na manhã desta terça-feira (9/06/26) quando trabalhadores da Coteminas começaram a se reunir em frente à fábrica, em Blumenau. O motivo já é conhecido por muitos deles: mais uma vez, os salários não foram pagos dentro do prazo legal. Diante da situação, a produção foi paralisada e uma nova mobilização tomou conta da entrada da empresa.
Segundo o SINTRAFITE, sindicato que representa os trabalhadores das indústrias têxteis de Blumenau, Gaspar e Indaial, esta é a quarta paralisação registrada apenas em 2026 por atraso salarial. Pela legislação trabalhista, os salários devem ser pagos até o quinto dia útil do mês.
O problema, porém, não começou agora. De acordo com o sindicato, desde 2023 a empresa acumula atrasos salariais e descumprimentos de direitos trabalhistas. Ao longo desse período, diversas manifestações foram realizadas na porta da fábrica para pressionar pelo pagamento dos valores devidos.
A situação se agravou em 2024, quando a Coteminas entrou com pedido de recuperação judicial. Antes disso, centenas de trabalhadores foram demitidos sem receber integralmente verbas rescisórias, depósitos de FGTS e outros direitos. Conforme o Sintrafite, parte desses valores só começou a ser quitada após mobilizações realizadas em Blumenau e também em São Paulo, em frente à FIESP, então presidida por Josué Gomes, proprietário da empresa.
Mesmo após a aprovação do plano de recuperação judicial, o sindicato afirma que a empresa passou a descumprir compromissos assumidos no próprio processo. Isso tem aumentado a preocupação tanto dos funcionários que seguem na ativa quanto dos ex-trabalhadores que aguardam o recebimento de valores pendentes.
Além dos salários, o Sintrafite relata atrasos no pagamento de verbas rescisórias, vale-alimentação, vale-transporte e férias. Em alguns casos, segundo a entidade, trabalhadores estão usando recursos próprios para conseguir chegar ao trabalho.

Na última semana, o sindicato também contestou informações divulgadas pela empresa sobre os pagamentos previstos no plano de recuperação judicial. Em comunicado aos credores, a Coteminas informou que estaria considerando dias úteis para a contagem do prazo de início dos pagamentos. O Sintrafite, no entanto, comunicou ao Poder Judiciário que o plano aprovado prevê contagem em dias corridos, e não em dias úteis.
Para a entidade, a interpretação adotada pela empresa representa uma tentativa de adiar obrigações assumidas durante o processo de recuperação judicial. O sindicato afirma que a medida prejudica trabalhadores e demais credores que aguardam os pagamentos.
Enquanto isso, a insegurança cresce entre os funcionários. Muitos convivem com dificuldades para pagar contas, garantir a alimentação da família e até custear o transporte para o trabalho. Diante do novo atraso, os trabalhadores decidiram manter a paralisação e intensificar a mobilização até que os pagamentos sejam realizados.
O Sintrafite cobra da Coteminas o cumprimento imediato da legislação trabalhista, a regularização dos salários e demais direitos em atraso, além do respeito aos compromissos assumidos perante a Justiça e os trabalhadores.





