Coteminas de Blumenau tem produção paralisada após novo atraso no pagamento

Mobilização chega ao quarto dia nesta quinta-feira (13/08) na unidade do município.

Foto: SINTRAFITE

Frio, chuva e mais um dia diante dos portões da fábrica. Trabalhadores e trabalhadoras da Coteminas, em Blumenau, chegam nesta quinta-feira (13/08/26) ao quarto dia de paralisação da produção após a empresa novamente deixar de pagar os salários dentro do prazo legal.

A mobilização começou na segunda-feira (10). Desde então, os funcionários permanecem em frente à unidade para cobrar os salários e outros direitos que estão em atraso.

Nesta quinta, o protesto ganha um novo capítulo. Às 11h, o Sintrafite e os trabalhadores realizam um ato em frente à fábrica para denunciar a situação e exigir uma solução imediata da Coteminas.

O problema, porém, está longe de ser recente. Segundo o sindicato, os atrasos salariais e o descumprimento de obrigações trabalhistas se repetem desde 2023 e já provocaram diversas mobilizações diante da unidade.

Só em 2026, esta é a sexta paralisação motivada pelo não pagamento dos salários no prazo previsto em lei, que determina o depósito até o quinto dia útil. A crise também atingiu quem já deixou a fábrica. Antes de entrar com pedido de recuperação judicial, em 2024, a Coteminas demitiu centenas de trabalhadores e trabalhadoras sem quitar verbas rescisórias, FGTS e outros direitos.

Parte desses valores começou a ser paga somente depois de mobilizações organizadas pelo Sintrafite. Os protestos ocorreram em Blumenau e chegaram a São Paulo, com manifestação diante da FIESP, então presidida por Josué Gomes, proprietário da Coteminas.

Mesmo depois da aprovação do plano de recuperação judicial, segundo o sindicato, a empresa passou a descumprir compromissos assumidos durante o processo.

O resultado é uma incerteza que atinge os dois lados dos portões: quem continua trabalhando convive com os atrasos salariais, enquanto parte dos demitidos ainda espera receber valores devidos pela empresa. Em manifestação sobre a situação, o Sintrafite afirma: “É uma vergonha a forma como a Coteminas vem tratando os trabalhadores/as.”

A entidade também critica a administração da companhia e diz que os funcionários não podem pagar a conta pelos problemas enfrentados pela empresa.

“O que se vê é uma sucessão de atrasos e descumprimentos que evidencia uma péssima gestão, enquanto os/as trabalhadores/as são obrigados/as a arcar com as consequências. Não aceitaremos que quem trabalha e produz seja responsabilizado pelos problemas de administração da empresa.”

O sindicato cobra o pagamento imediato dos salários e dos demais valores atrasados, além do cumprimento da legislação trabalhista e das obrigações assumidas pela Coteminas durante a recuperação judicial.

Enquanto uma solução não chega, a produção segue parada e os trabalhadores permanecem mobilizados. Nesta quinta, às 11h, eles voltam a se reunir diante da fábrica.

Foto: SINTRAFITE
Foto: SINTRAFITE
Foto: SINTRAFITE
Foto: SINTRAFITE

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