Copa do Mundo 2026 começa sob recordes, festa global e polêmicas fora de campo

Mundial com 48 seleções e três países-sede promete ser o maior da história, mas já enfrenta críticas sobre imigração, custos e organização.

Imagem (ilustrativa): OBlumenauense

Faltando pouco mais de seis horas para a bola rolar no Estádio Azteca, a expectativa já toma conta das ruas da Cidade do México. A Copa do Mundo de 2026 começa às 14h30 desta quinta-feira (11/06/26) e promete ser a maior da história, com 48 seleções e três países-sede: México, Estados Unidos e Canadá.

O Mundial chega cercado de expectativas. A Fifa aposta na edição mais ampla da história, com 48 seleções participantes, contra as 32 das últimas Copas. A intenção é ampliar a presença de países e transformar o torneio em uma experiência ainda mais global.

Os números ajudam a explicar o tamanho do evento. Segundo a Fifa, cerca de 5 bilhões de pessoas acompanharam a Copa do Catar, em 2022. Apenas a final entre Argentina e França reuniu mais de 1,5 bilhão de espectadores, a maior audiência esportiva já registrada.

No ambiente digital, o alcance acumulado chegou a aproximadamente 262 bilhões de visualizações em diferentes plataformas, além de quase 6 bilhões de interações.

Para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, o sucesso do torneio está ligado à capacidade do futebol de promover encontros entre diferentes povos. Ele afirma que o esporte carrega consigo “a magia de unir o mundo”.

Essa mistura de culturas é uma das marcas das Copas. Em 2026, ela ganha escala ainda maior ao se espalhar por três países com identidades distintas, criando um grande intercâmbio entre torcedores, cidades e tradições.

A edição também traz marcos inéditos. O jogo de abertura repetirá o confronto entre México e África do Sul, o mesmo que abriu a Copa de 2010. É a primeira vez que isso acontece desde a adoção do formato com partida inaugural.

Outra curiosidade envolve o Estádio Azteca. A arena mexicana será a primeira da história a receber três jogos de abertura de Copa do Mundo, repetindo os feitos de 1970 e 1986.

Antes da estreia, a Fifa promoveu uma contagem regressiva inédita com shows simultâneos na Cidade do México, em Toronto e em Los Angeles. Os chamados Countdown Concerts reuniram artistas locais e internacionais em apresentações sincronizadas e transmitidas entre os três países.

No México, a cerimônia destacou elementos tradicionais da cultura local, com música, dança, papel picado e participação de artistas indígenas. Entre os nomes confirmados estavam Shakira, Burna Boy, Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean, J Balvin, Lila Downs, Los Ángeles Azules, Maná e Tyla.

Em Los Angeles, participaram artistas como Katy Perry, Future, Lisa, Rema, Tyla e a brasileira Anitta. Já o Canadá contou com apresentações de Alanis Morissette, Alessia Cara, Elyanna, Jessie Reyez, Michael Bublé, Nora Fatehi, Sanjoy, Vegedream e William Prince.

Estreia e primeiros jogos da seleção brasileira

O Brasil estreia no sábado (13), às 19h, contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Depois, enfrenta o Haiti em 19 de junho, às 21h30, na Filadélfia, e fecha a fase de grupos contra a Escócia em 24 de junho, às 19h, em Miami. Todos os jogos são nos Estados Unidos.

Mas nem só de festa vive o Mundial

Antes mesmo da abertura, a Copa já acumulava controvérsias relacionadas principalmente às políticas migratórias dos Estados Unidos, um dos países-sede.

A situação mais delicada envolve o Irã. Em meio às tensões entre os dois países, jogadores iranianos enfrentaram dificuldades para conseguir vistos. Integrantes da comissão técnica e dirigentes não conseguiram autorização para viajar a tempo da preparação da equipe.

Inicialmente, a delegação ficaria hospedada no Arizona. Depois, precisou transferir sua base para Tijuana, no México. Em determinado momento, chegou a ser informada de que não poderia pernoitar em território norte-americano. A decisão acabou parcialmente revista, permitindo hospedagem apenas na véspera das partidas.

Torcedores iranianos também relataram cancelamentos de ingressos poucos dias antes do início da competição.

Outro episódio ocorreu com o atacante iraquiano Aymen Hussein. Considerado um dos destaques da seleção, ele ficou retido por várias horas na imigração dos Estados Unidos, no aeroporto de Chicago, e teve o celular inspecionado antes de ser liberado.

O fotógrafo da delegação iraquiana, Talal Salah, também enfrentou problemas. Ele foi impedido de entrar no país após permanecer mais de dez horas retido na imigração.

A arbitragem não escapou das restrições. Omar Abdulkadir Artan, que seria o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo, teve a entrada barrada ao desembarcar em Miami. Mesmo com visto aprovado e credenciamento da Fifa, foi considerado “inadmissível” pelas autoridades norte-americanas por motivos ligados à verificação de antecedentes. Os detalhes não foram divulgados.

A Fifa afirmou que lamenta os episódios, mas ressaltou não ter poder sobre decisões migratórias dos países-sede.

Outra fonte de críticas é o preço dos ingressos. De acordo com a imprensa internacional, a Copa de 2026 figura entre as mais caras da história.

Os bilhetes mais baratos para a fase de grupos custam cerca de US$ 60, mas foram disponibilizados em quantidade limitada. Em muitos casos, os torcedores precisaram desembolsar até US$ 620 para acompanhar os primeiros jogos.

Nas fases eliminatórias, os valores ultrapassam US$ 3 mil. Para a final, os preços variam entre US$ 2.030 e aproximadamente US$ 7,8 mil. Na decisão da Copa do Catar, em 2022, o ingresso custava cerca de US$ 1,6 mil.

Entre celebrações, recordes e controvérsias, a Copa de 2026 começa com a promessa de unir culturas em escala inédita — e com desafios que ultrapassam as quatro linhas.


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