quinta-feira, 24 junho 2021
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Conheça o transtorno de personalidade esquizoide

O distúrbio tem como características o distanciamento de relações sociais, a frieza emocional e a preferência para realizar as atividades sozinho.

Ainda que o transtorno da personalidade esquizóide seja caracterizado por sinais que se assemelham aos de outros distúrbios, há um padrão generalizado que auxilia na identificação do problema. Entre os marcadores dessa condição, destacam-se o comportamento introspectivo, a apatia e o desinteresse geral pelas relações interpessoais.

Segundo o Dr. Marcel Vella Nunes, psiquiatra do Hospital Santa Mônica de São Paulo, transtorno de personalidade esquizoide, é um distúrbio marcado pelo distanciamento de relações sociais, frieza emocional e preferência para realizar as atividades sozinho. Geralmente, quem apresenta esse tipo de transtorno se mostra indiferente e desinteressado pela realização de atividades, mesmo que sejam de sua responsabilidade.

Salvo exceções, esse comportamento alternativo costuma surgir no início da idade adulta e requer uma boa avaliação diagnóstica. Somente um médico ou psicólogo experiente poderá diferenciar o transtorno de personalidade esquizoide de outros distúrbios mentais. Por isso, quem tem algum familiar com esse comportamento deve buscar ajuda profissional antes que o quadro evolua para complicações.

Como identificar os sintomas desse transtorno?

Mesmo que o diagnóstico final do transtorno de personalidade esquizoide seja de responsabilidade médica, alguns sinais ajudam a identificá-lo. Veja quais são:

  • Total desinteresse em construir uma família;
  • Postura indiferente mediante elogios ou críticas;
  • Desinteresse por experiências sexuais com o parceiro;
  • Falta de prazer e de motivação para realizar atividades rotineiras;
  • Ausência de amigos íntimos ou confidentes, exceto os parentes próximos;
  • Demonstração constante de frieza e distanciamento emocional e social;
  • Falta de interesse em estabelecer vínculos afetivos e relacionamentos íntimos;
  • Preferência por trabalhos que não dependam de interação com outros profissionais.

O que causa transtorno de personalidade esquizoide?

Estudiosos e especialistas da área ainda não sabem, ao certo, as causas desse temperamento esquizoide. Apesar dos avanços na análise dos fatores que levam à doença, até o momento, a hipótese mais provável é a influência do ambiente e da herança genética.

Um dos fatores que contribuem para o desencadeamento do distúrbio é a insensibilidade dos pais ou cuidadores, que não ensinam a criança sobre a importância da interação social e afetiva. Assim, quem cresce em ambientes solitários, negligentes, hostis ou violentos apresenta maior propensão ao desenvolvimento do transtorno de personalidade esquizoide desde a infância.

Contudo, essa perturbação mental pode aparecer de forma quase imperceptível na infância ou na adolescência. Mas na fase adulta, ela se manifesta mais fortemente, em forma de solidão — a pessoa evita a interação social e tem dificuldade para fazer amizades. Além disso, sinais de depressão podem estar presentes.

Quais são as principais características desse transtorno?

Indivíduos que apresentam o transtorno esquizoide são peculiares, mais reclusos e tendem a ficar reorganizando suas atividades e tarefas, de modo que não tenham contato social. Por se adaptarem à vida solitária, pouquíssimas se envolvem em relacionamentos ou se casam. A maior parte delas moram sozinhas, centradas no próprio mundo.

Frieza emocional

Em vias gerais, quem sofre com esse transtorno é emocionalmente frio. Nem mesmo a perda de algo de valor ou a morte de um ente querido pode causar sofrimento ou dano. Ou seja, o indivíduo se torna incapaz de distinguir sentimentos ou demonstrar suas próprias emoções.

Preferência por atividades solitárias

A tendência a comportamentos com pouca ou nenhuma interação social é outra característica comum ao transtorno. O indivíduo evita qualquer tipo de entrosamento com amigos ou parentes. A maioria opta por um estilo de vida isolado do mundo exterior, sem nenhum envolvimento ou integração coletiva.

Dificuldade e desinteresse em relacionamentos

Quem sofre com esse transtorno não demonstra o menor interesse em ter relações afetivas. Na prática, aprende a lidar com a falta do que “não faz falta” para esse perfil. Por ser totalmente alheios a qualquer sentimento afetivo, inclusive, amor ou raiva, eles não têm desejos sexuais.

Alto poder de imaginação

Como o portador de transtorno de personalidade esquizoide não demonstra interesse pela vida real, cria um universo paralelo e ali se infiltra. Pela sua grande capacidade de imaginação, ele vivencia muitas experiências como se fossem reais.

Como o transtorno de personalidade esquizoide se diferencia da esquizofrenia e do autismo?

Como visto, esse distúrbio pode ser confundido com outros — igualmente preocupantes —, como a esquizofrenia e o autismo. No entanto, por meio de informações sobre diferentes comportamentos e sintomas dos transtornos de personalidade, é possível diferenciá-los. Confira!

Esquizofrenia

Mesmo que haja similaridades, na esquizofrenia, a pessoa tem dificuldade de diferenciar as experiências internas das externas. Consequentemente, ela é dominada por sintomas psicóticos, como alucinação e delírio, sinais não presentes no transtorno de personalidade esquizoide.

Autismo

Enquanto o perfil esquizoide percebe as emoções dos outros, mas as ignora, o autista tem dificuldade de reconhecer as expressões de sentimentos do outro, e o contato, portanto, se dá de uma maneira diferente do usual, algo peculiar.

Quais são os tipos de tratamento recomendados?

Se não adequadamente tratadas, as pessoas com personalidade esquizoide podem desenvolver outros prejuízos e comprometer, ainda mais, a saúde mental. Esse grupo é mais vulnerável à depressão, à ansiedade patológica e a outros males associados a essas doenças.

Mediante isso, a orientação é procurar um especialista antes que o quadro se agrave. Em vias gerais, as metodologias mais comuns de tratamento são:

  • Terapia em grupo;
  • Suporte psiquiátrico;
  • Tratamento psicológico;
  • Medicamentos que possuirão um enfoque específico para comorbidades subjacentes ou sintomas específicos a serem individualizados por um psiquiatra;
  • Tratamentos alternativos, como meditação, prática de ioga e musicoterapia.

Quando há necessidade de internação?

A internação pode ser necessária quando o paciente não responde aos tratamentos ambulatoriais, como a assistência psicológica e o suporte psiquiátrico. Nesses casos, a internação para pacientes com transtorno de personalidade é indicada, pois há um risco maior para manifestações de paranoias, ataques de pânico e ideações suicidas.

Pode-se concluir que, embora o transtorno de personalidade esquizoide tenha características peculiares — e exija um diagnóstico preciso —, ele pode ser tratado com uma alta chance de remissão de sintomas uma vez que a pessoa engaje no seu tratamento. Para tanto, o ideal é contar com a expertise dos profissionais do Hospital Santa Mônica, a fim de assegurar uma assistência qualificada e com mais chance de sucesso no tratamento.

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