Comunidades da Ponta Aguda e Belchior Baixo pedem segurança em relação a penitenciária

 

Cobertura: Marlise Cardoso Jensen | Texto: Claus Jensen

Na noite desta quinta-feira (2/03/17), a comunidade do Bairro Belchior Baixo em Gaspar aguardava ansiosa a vinda dos representantes da Justiça e Cidadania de Santa Catarina e também do Diretor da Penitenciária Industrial de Blumenau. O motivo da reunião era buscar uma solução para a falta de segurança na penitenciária, principalmente depois da última fuga, quando detentos invadiram uma residência no bairro Belchior Baixo.

 

 

O encontro estava programado para às 19h no salão de festas da Capela Santa Catarina, localizada na Rua Vidal Flávio Dias, bairro Belchior Baixo, em Gaspar. A reunião foi convocada pelos vereadores do município, Rui Carlos Deschamps (PT) e Roberto Procópio (PDT). Este último informou à comunidade que infelizmente, os que foram convidados e deveriam estar para conversar, não compareceram. Ada de Luca ( Secretária de Estado da Justiça e Cidadania), não veio mas seria representada pelo Sr. Leandro Antonio Soares de Lima (Secretário Adjunto da Justiça e Cidadania) que também não compareceu. Cleverson Henrique Drechsler, diretor da Penitenciária Industrial de Blumenau que fica próximo ao local da reunião, também não esteve lá, gerando descontentamento geral da comunidade.

Em seguida a Comandante da 7ª Região da Polícia Militar de Santa Catarina, Claudete Lehmkuhl; representando o Secretário Estadual de Segurança Pública de Santa Catarina , César Augusto Grubba; disse que talvez a falta destas autoridades tivesse relação com a fuga de 7 detentos do Presídio de Canhanduba em Itajaí, que ocorreu no período da tarde. Mesmo assim, a comunidade ficou decepcionada com a falta de pelo menos um deles. A deputada estadual Ana Paula de Lima (PT) também participou da reunião e deve intermediar um novo encontro com os autoridades ausentes.

Os moradores questionaram a falta de comunicação entre polícia e a comunidade local. Exemplo disso foi que no dia da fuga dos 8 detentos, quando as famílias próximas da penitenciária ficaram sabendo por acaso, ou seja, avisados por terceiros. O comandante da Polícia Militar de Gaspar, Capitão Heintje Heerdt, sugeriu à comunidade solicitar aos responsáveis pela penitenciária a instalação de um alarme (sirene), para avisar quando há fuga de presos e que assim pelo menos tranquem as suas casas.

 

Morador Emerson Nascimento, que mora a poucos metros da penitenciária

 

Durante a reunião também foi lembrado que a penitenciária foi instalada sem haver contrapartida às comunidades dos bairros Ponta Aguda (Blumenau) e Belchior Baixo (Gaspar). Segundo o morador Emerson Nascimento, que reside à poucos metros da unidade prisional e trabalha em Gaspar, ficou um trauma para todos de que haja novas fugas. “O medo que estamos sentindo é constante, pois como aconteceu agora com essa quantidade de fugitivos de uma só vez, ficamos aflitos só de imaginar quando será a próxima. Temos vários moradores idosos, crianças, enfim, todos estão temerosos”.

 

 

Outro depoimento emocionante foi do morador que teve a casa invadida pelos fugitivos, onde ficaram por cerca de duas horas, e um acabou morto após confronto com as forças policiais. Ao morador foi dado mais tempo para poder contar como foi o terror vivido por ele e sua esposa. No geral, a comunidade estava indignada com a falta de atenção e segurança que deveria existir devido ao simples fato de ter uma penitenciária tão próxima à seus lares.

 

 

O policial civil aposentado Antônio Fernando das Neves Filho, agente Neves, esteve no local representando o delegado regional do órgão, Dr. Rodrigo Marchetti. Neves comentou que a delegacia regional tem trabalhado em duas frentes em Blumenau: “O conselho comunitário de segurança é uma forma de você se reunir uma vez por mês. Também há o programa Rede de Vizinhos da Polícia Militar. Mesmo que seu vizinho não tenha, mas você sabe que se a luz na janela estiver acesa, eles estão em casa. Nós temos que ir sim à comunidade e trabalhar com ela, porque assim passam a ter um policial que chamam de seu e ele participa de forma mais próxima. Eu sou aposentado da Polícia Civil mas recebo ligações no final de semana pedindo algo. Sempre digo para ligar à PM, que ela vai ajudar. Quando acontecer qualquer coisa, a principal orientação é ligar para o 190″ finalizou o policial.

 

 

Questionado sobre a confirmação das autoridades para a reunião de quinta (2), o vereador de Gaspar, Rui Carlos Deschamps, disse que todos os convites foram entregues em mãos. “Grande parte deles confirmaram a presença, enquanto outros colocaram a disposição representantes. Mesmo assim, os principais responsáveis pela segurança pública da Penitenciária Industrial de Blumenau, não compareceram. As demais autoridades vieram e foi muito importante a presença da comunidade em peso. Vamos marcar uma agenda com a Ada de Luca, o secretário Grubba e o diretor da penitenciária, para levar nossas reivindicações. Pedimos apenas que seja dada segurança tanto na parte interna da penitenciária quanto no seu entorno. Assim iremos evitar de ouvir depoimentos como esse do casal idoso que teve sua casa invadida pelos foragidos. Graças a Deus, a comunidade não pagou com a perda de vidas”.

Ao lamentar a ausência das autoridades, Deschamps lembrou que o encontro foi tranquilo por parte da comunidade, que apenas reivindicou seus direitos. Mas por enquanto não há uma data definida para uma nova reunião, apenas que deve ser o mais breve possível. O vereador é natural do Belchior Baixo e tem boa parte da família no bairro.