Comissão do Senado aprova emenda que prevê voto impresso nas eleições

Medida foi incluída no novo Código Eleitoral, mas já foi considerada inconstitucional pelo STF.

Foto: Geraldo Magela (Agência Senado)

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (20/08/25), uma mudança no novo Código Eleitoral que prevê a volta do voto impresso no Brasil. A emenda foi apresentada pelo PP e recebeu 14 votos favoráveis e 12 contrários.

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O texto faz parte do Projeto de Lei Complementar (PLP) 112/2021, que reúne cerca de 900 artigos e busca reorganizar as regras eleitorais do país. O texto-base já havia sido aprovado pelos senadores da comissão.

Como funcionaria o voto impresso

Pela proposta, depois que o eleitor confirmar seu voto na urna eletrônica, o registro será gravado digitalmente e, em seguida, a urna imprimirá uma versão em papel. Esse papel cairá automaticamente em uma caixa lacrada, sem contato manual do eleitor.

O processo só termina quando a pessoa confirmar que o que aparece no visor da urna é o mesmo que foi impresso. Essa medida, segundo os defensores, daria mais segurança e permitiria auditorias.

Se virar lei, o novo modelo já seria usado na eleição seguinte.

O que falta para valer

Como a emenda muda o texto que veio da Câmara, a proposta precisará ser votada novamente pelos deputados. Além disso, para ser aplicada nas próximas eleições, precisa ser aprovada em definitivo e sancionada até um ano antes do pleito.

Debate entre senadores

A oposição defendeu o voto impresso dizendo que a medida ajudaria a aumentar a confiança da população no sistema eleitoral. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou:
A gente tem que pacificar o país. A questão não é querer ter razão, é ser feliz. Então, para pacificar o país e ser feliz, é o voto impresso.

Já o relator da proposta, senador Marcelo Castro (MDB-PI), foi contra a mudança. Ele destacou que, em quase 30 anos de uso das urnas eletrônicas, nunca houve prova de fraude: Nas eleições de 2024, foram mais de 400 mil candidatos em todo o Brasil, e não existe uma única ação alegando que alguém perdeu por fraude.

STF já rejeitou ideia semelhante

Essa não é a primeira vez que o voto impresso chega ao Congresso. Em 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional uma lei de 2015 que previa a impressão do voto, por entender que poderia quebrar o sigilo e até facilitar fraudes.

No ano seguinte, em 2021, a Câmara dos Deputados também rejeitou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tratava do mesmo assunto.


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