Moradores de várias regiões de Blumenau ainda encontram dificuldades para fazer ligações ou acessar a internet móvel, apesar de as operadoras indicarem cobertura em boa parte do município. A situação voltou à pauta da Comissão Especial Temporária de Telefonia da Câmara de Vereadores, em sessão realizada nesta terça-feira (18/08/26), que pretende cobrar explicações sobre os critérios usados para classificar uma área como atendida.
O presidente da comissão, Diego Nasato (NOVO), afirmou ter recebido, em conversa preliminar com a Secretaria de Estado do Planejamento, a informação de que Santa Catarina teria cobertura de telefonia em cerca de 99% dos domicílios urbanos, enquanto o índice nas áreas rurais ficaria próximo de 45%. Durante a reunião, ele ponderou que esse percentual urbano não corresponde à experiência de muitos moradores de Blumenau.

A principal preocupação é a metodologia usada para medir o alcance das antenas. Conforme debatido pelos vereadores, uma estrutura pode ter um raio estimado de até quatro quilômetros em condições abertas, mas montanhas, morros, vales e outros obstáculos reduzem esse alcance. Por isso, uma residência pode aparecer como coberta nas estatísticas e continuar sem sinal adequado no dia a dia.
A comissão deve encaminhar um requerimento à Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) para pedir esclarecimentos sobre esses critérios e questionar se há previsão de adaptá-los a cidades com relevo mais complexo. Os parlamentares também querem saber quais parâmetros são exigidos das operadoras e como são avaliadas as áreas consideradas atendidas.
Na reunião, foram citadas reclamações em locais nos bairros Vila Itoupava, Itoupava Central, Progresso, Velha Grande, Fidelis e regiões do sul da cidade. Também foram mencionadas as Rua Pérola do Vale, perto do CAIC da Itoupava Central, e na Avenida Martin Luther, em uma área mais central, além de outros pontos onde o 4G apresentaria falhas, segundo os relatos dos parlamentares.
O vereador Adriano Pereira (PT) afirmou que a pressão da Câmara e os requerimentos enviados às empresas ajudaram a viabilizar antenas instaladas em anos anteriores. Entre os bairros lembrados estão Velha Grande, Itoupavazinha, Nova Esperança, Progresso e Velha. Ele citou a antena da Rua Firmina Gonçalves da Silva, na Velha Grande, como exemplo de estrutura compartilhada por diferentes operadoras.
Pereira também disse que mudanças na legislação municipal ajudaram a reduzir entraves para a implantação de novas antenas. Apesar disso, ele destacou que os processos ainda envolvem licenças ambientais e outras autorizações, o que torna a instalação demorada. A comissão pretende retomar o diálogo com as empresas para buscar novos investimentos.
Uma reunião por videoconferência deverá ser marcada com representantes da Claro, TIM, Vivo e Unifique. O objetivo é solicitar informações sobre ampliação de cobertura, novas antenas, investimentos previstos para os próximos anos e o avanço da tecnologia 5G em Blumenau. Os vereadores defendem atenção especial a terminais urbanos e hospitais, locais onde há grande circulação de pessoas.
Outro assunto discutido foi o programa estadual Sinal Bom. Segundo informações preliminares apresentadas por Nasato, o programa foi estruturado para priorizar as áreas rurais de Santa Catarina, com antenas financiadas pelo Governo do Estado. A operação deverá ser dividida por regiões entre empresas responsáveis pela manutenção da estrutura e pela oferta compartilhada de sinal a outras operadoras.
Ainda conforme o relato feito na comissão, o Estado teria mapeado o território catarinense em áreas de um quilômetro quadrado, considerando moradias, vias e áreas de preservação para definir os melhores pontos de instalação. A previsão informada é de que as antenas tenham alcance aproximado de quatro quilômetros e ampliem a cobertura rural para 98% das famílias, em até 36 meses.
O programa, no entanto, ainda precisa ser detalhado oficialmente à Câmara. Nasato informou que solicitará documentos ao governo estadual e a apresentação da iniciativa à comissão, inclusive para identificar os pontos rurais de Blumenau que podem ser atendidos. A reunião também levantou dúvidas sobre áreas que têm características rurais, mas estão formalmente dentro do perímetro urbano.
Esse é o caso de trechos da Vila Itoupava e de ruas como Erich Meyer, Paulo Zing, Paulo Zing Filho e Rio Bonito, citadas no encontro. A preocupação é que essas comunidades não se enquadrem no Sinal Bom por estarem em área urbana, mesmo enfrentando dificuldades semelhantes às das localidades rurais. A comissão quer esclarecer esse possível vazio antes do avanço do programa.
O Procon de Blumenau também deve ser chamado para uma das próximas reuniões, com dados sobre reclamações ligadas à infraestrutura e à cobertura da telefonia móvel. A ideia é entender se o órgão tem recebido denúncias desse tipo e quais medidas tem adotado. Pereira ainda defendeu fiscalização sobre a venda de planos e aparelhos em locais onde o serviço contratado não teria sinal disponível.
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