As eleições de 2026 representam um novo capítulo para parte da Câmara Municipal de Blumenau. Com as convenções partidárias concluídas, cinco vereadores em exercício oficializaram a candidatura a deputado estadual ou federal. Embora todos partam da mesma Casa Legislativa, cada um chega à disputa com uma trajetória, um discurso e um público prioritário bastante diferentes.
A passagem pela Câmara funciona como um cartão de visitas. Mas, em uma eleição proporcional de alcance estadual, isso está longe de garantir uma cadeira. O desafio comum será transformar o reconhecimento conquistado em Blumenau em votos espalhados por Santa Catarina, além de enfrentar a concorrência dentro dos próprios partidos, onde candidatos disputam espaço na mesma nominata.
Todos os candidatos procuram transmitir a ideia de continuidade, defendendo que o trabalho realizado no Legislativo municipal os credencia para representar o Estado em Florianópolis ou Brasília.

Ito aposta na experiência administrativa e na fiscalização
Presidente da Câmara de Blumenau, Aílton de Souza (Ito) confirmou a candidatura a deputado federal pelo Podemos. Nas manifestações divulgadas após a homologação, o vereador associa sua campanha ao trabalho desenvolvido à frente do Legislativo, destacando a fiscalização dos gastos públicos, o combate à corrupção e a defesa da transparência.
A presidência da Câmara deu a Ito uma exposição institucional superior à maioria dos vereadores. Isso tende a facilitar sua identificação junto ao eleitorado local. Em contrapartida, sua principal missão será ampliar esse reconhecimento para cidades onde sua atuação como vereador é pouco conhecida.
Outro fator que merece atenção é a disputa dentro da própria legenda. O Podemos terá diversos candidatos buscando votos em diferentes regiões do Estado, o que exige uma campanha capaz de construir bases além do Vale do Itajaí.

Bruno Cunha tenta transformar votação municipal em força regional
Entre os candidatos à Assembleia Legislativa também está Bruno Cunha, do Cidadania. Reconhecido por ter alcançado uma expressiva votação nas eleições municipais e por manter forte atuação parlamentar, Bruno inicia a campanha estadual apoiado em um elevado índice de conhecimento dentro de Blumenau.
Em suas manifestações públicas, procura apresentar a candidatura como uma oportunidade de ampliar a representação da cidade na Assembleia Legislativa, defendendo que a experiência adquirida na Câmara pode contribuir para o debate estadual.
O desafio, entretanto, será semelhante ao enfrentado pelos demais candidatos proporcionais: conquistar espaço fora de Blumenau e competir com nomes tradicionais do partido em outras regiões.

Também candidata a deputada federal pelo Podemos, Cristiane Loureiro chega à eleição com uma característica que poucos candidatos conseguem construir: uma identidade temática bastante definida.
Ao longo dos mandatos como vereadora, concentrou sua atuação em pautas relacionadas à proteção das mulheres, fortalecimento das famílias, defesa da pessoa idosa, saúde, segurança, inclusão social e causa animal. Esse mesmo conjunto de bandeiras aparece como eixo central de sua campanha estadual.
Nas redes sociais, Cristiane afirma que a candidatura é resultado da experiência acumulada na Câmara e do contato direto com demandas da população. Em vez de ampliar o discurso para diversas áreas, mantém foco em temas que já fazem parte de sua atuação parlamentar.
Essa estratégia pode fortalecer a fidelização do eleitorado que acompanha seu mandato. Por outro lado, também exige ampliar esse público para outras regiões catarinenses, onde ainda precisará construir maior visibilidade.

Egídio Beckhauser aposta na experiência política e na estrutura partidária
Ex-presidente da Câmara de Blumenau, Egídio Beckhauser disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Republicanos. Após a homologação da candidatura, suas publicações passaram a enfatizar reuniões com lideranças estaduais, participação em eventos partidários e a construção de um projeto estadual. O discurso procura transmitir que sua candidatura não representa apenas uma iniciativa individual, mas faz parte da estratégia do partido em Santa Catarina.
Diferentemente de campanhas mais voltadas para pautas específicas, Egídio aposta na experiência acumulada ao longo da vida pública e na capacidade de articulação política. Seu desempenho dependerá não apenas da votação obtida em Blumenau, mas também da força da nominata do Republicanos, fator que costuma ter peso significativo nas eleições proporcionais.

Na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, Jean Volpato representa uma situação política particular. Inicialmente, o Partido dos Trabalhadores (PT) discutia mais de um nome para disputar a eleição. Entretanto, o vereador Adriano Pereira desistiu da candidatura e declarou apoio a Jean, permitindo que o partido concentrasse seus esforços em uma única campanha no município.
Nas redes sociais, Jean apresenta sua candidatura como continuidade da atuação desenvolvida na Câmara, destacando pautas ligadas aos serviços públicos, aos trabalhadores e às políticas sociais.
Essa concentração de apoios reduz a concorrência interna dentro do partido em Blumenau. Ainda assim, a eleição estadual exigirá que o vereador amplie sua presença para municípios onde o PT possui bases eleitorais importantes.

Quantos votos cada um precisa para se eleger?
Não existe um número fixo de votos para eleger um deputado estadual ou federal. A eleição é proporcional e depende da votação do partido, do quociente eleitoral e da distribuição das vagas. Além disso, o candidato precisa atingir pelo menos 10% do quociente eleitoral.
Em Santa Catarina, a estimativa para 2026 é de um quociente entre 80 mil e 90 mil votos para deputado estadual e 200 mil a 220 mil para deputado federal. Por isso, uma votação alta pode não garantir a eleição, enquanto outro candidato com menos votos pode conquistar uma vaga graças ao desempenho do partido.
Os números de 2022 mostram que a votação individual nem sempre define quem será eleito. Em Santa Catarina, o deputado federal eleito com a menor votação foi Fábio Schiochet (União Brasil), com 51.824 votos. Já para a Assembleia Legislativa, o menor eleito foi Matheus Cadorin (Novo), com 12.390 votos.
Esses casos demonstram como funciona o sistema proporcional: candidatos com votações relativamente baixas podem conquistar uma cadeira quando o partido ou federação alcança um bom desempenho coletivo. Por outro lado, candidatos com mais votos podem ficar de fora se a nominata não atingir o desempenho necessário.
O quociente eleitoral é o número de votos que, em média, um partido ou federação precisa conquistar para ter direito a uma cadeira no Legislativo. Ele é calculado dividindo o total de votos válidos pelo número de vagas em disputa.





