Cerveja criada em Santa Catarina completa 10 anos e ganha destaque em Blumenau

Primeiro estilo brasileiro conquistou reconhecimento internacional e é celebrado em evento que reúne 200 cervejarias.

Mark Neumann, Idney Nuno José e Fernando Lapolli: os primeiros a produzir a Catharina Sour | Foto: Daniel Zimmermann

Durante décadas, o Brasil foi conhecido no mercado cervejeiro principalmente como consumidor e importador de tendências. Há dez anos, porém, um movimento iniciado em Santa Catarina mudou esse roteiro. Foi ali que nasceu a Catharina Sour, primeiro estilo de cerveja criado no país a conquistar reconhecimento internacional.

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A receita, que combina acidez com frutas e especiarias, rapidamente se espalhou entre cervejarias artesanais. Com o tempo, ganhou espaço em concursos, passou a ser produzida fora do Brasil e acabou incluída oficialmente no guia do Beer Judge Certification Program (BJCP), uma das principais referências mundiais na classificação de estilos cervejeiros.

Agora, uma década depois da primeira brassagem, o estilo volta ao centro das atenções no Degusta Cervejas do Brasil, evento realizado em Blumenau (SC) até 7 de março. O encontro reúne cerca de 200 cervejarias de 12 estados e funciona como uma grande degustação aberta ao público.

Um estilo brasileiro com muitos sotaques

A identidade da Catharina Sour está ligada à variedade de ingredientes que entram na receita. Diferentemente de estilos mais rígidos, ela abre espaço para frutas e especiarias, o que acabou refletindo a diversidade de sabores do país.

Ao longo desses dez anos, surgiram versões com abacaxi, pêssego, caju, pitanga, goiaba, maracujá e uva. Em algumas receitas, também aparecem ingredientes como hortelã, sálvia e diferentes tipos de pimenta.

Para Gordon Strong, presidente do BJCP, o estilo tem características que ajudam a explicar sua aceitação. Ele destaca “o frescor e a vibração do sabor, a qualidade refrescante, a acidez que realça os sabores da fruta e o respeito aos ingredientes”. Segundo ele, trata-se de um estilo atual que representa bem o perfil de um país como o Brasil.

As cervejarias que estavam lá no começo

Parte da história da Catharina Sour também estará representada em Blumenau.

Entre os participantes está a Liffey Cervejaria, responsável pela produção da Coroa Real, considerada a primeira cerveja do estilo. A receita, elaborada em Palhoça (SC), combinava abacaxi e hortelã.

Outra protagonista é a Cervejaria Blumenau, que lançou o primeiro rótulo engarrafado da categoria: a Catharina Sour Pêssego.

Do Nordeste ao Vale do Itajaí

O evento também mostra como o estilo se espalhou pelo país. A cervejaria que percorreu a maior distância até Blumenau é a 5 Elementos, da cearense Turatti. A marca apresenta uma versão com goiaba, lactose e baunilha.

Já a produtora mais próxima do local do encontro é o Omas Haus Brewpub, que leva ao público uma Catharina Sour com goiaba e maracujá.

Principais marcos da Catharina Sour

A trajetória do estilo reúne uma série de etapas importantes ao longo dos últimos anos:

  • Abril de 2016 – Primeira brassagem da Coroa Real, na Liffey, em Palhoça (SC).
  • Agosto de 2016 – Workshop na Armada Cervejeira, em São José (SC), organizado por uma entidade estadual de cervejeiros para apresentar as diretrizes do novo estilo.
  • Setembro de 2016 – Lançamento do primeiro rótulo engarrafado: Catharina Sour Pêssego, da Cervejaria Blumenau.
  • 2017 – Outras cervejarias passam a produzir o estilo e concursos regionais e de cervejeiros caseiros começam a incluí-lo.
  • Março de 2018 – O Concurso Brasileiro de Cervejas passa a aceitar inscrições de Catharina Sour.
  • Julho de 2018 – O BJCP inclui o estilo como categoria temporária em seu guia internacional.
  • Dezembro de 2021 – A Catharina Sour passa a fazer parte oficialmente do guia definitivo do BJCP.
  • Maio de 2022 – O World Beer Awards (WBA) julga o estilo pela primeira vez.

Crescimento em concursos e presença internacional

Em 2026, o Concurso Brasileiro de Cervejas registra a Catharina Sour como o segundo estilo com maior número de participantes. Ao todo, 98 cervejarias inscreveram rótulos nessa categoria. A liderança permanece com a IPA, que soma 112 concorrentes.

A expansão do estilo também chegou a outros países. Um exemplo foi registrado no World Beer Awards de 2025, quando a cerveja francesa La Gueule De – Limited Edition Sour – Rhubarb & White Peache foi premiada como a melhor Catharina Sour do mundo.

O reconhecimento internacional mostra como um estilo criado no litoral catarinense passou a circular em diferentes mercados, ampliando a presença do Brasil no universo cervejeiro global.

Foto: Daniel Zimmermann

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