Eu vejo isso acontecer o tempo todo nas empresas. No começo da caminhada, ser multitarefa é sobrevivência. Você não tem departamentos definidos, não existe um fluxograma estruturado, muitas vezes não há equipe suficiente, então acaba fazendo de tudo um pouco. Resolve problema, aprova pedido, atende cliente, acompanha operação e tenta tocar o negócio inteiro praticamente sozinho.
Só que chega uma hora em que isso deixa de ajudar e começa a virar um veneno empresarial. Quando tudo depende da minha aprovação, eu me transformo no ponto de lentidão da empresa. O negócio passa a andar apenas na minha velocidade, e não na velocidade do mercado. E isso é perigoso.
Eu costumo falar muito sobre isso em palestras e encontros empresariais. Tem gestor que bate no peito dizendo: “eu faço tudo”. Quase como se fosse mérito chutar, cabecear, apitar e ainda ir para a torcida aplaudir ou vaiar o jogador. Mas não funciona assim. Em determinado estágio da empresa, continuar centralizando tudo acaba engessando os processos.
Muitos gestores tentam aliviar a situação colocando a culpa nos outros, mas antes disso eu preciso olhar para dentro. Preciso entender onde estão os gargalos internos, rever minhas decisões e melhorar o fluxo de respostas da empresa. Porque se absolutamente tudo depender de mim, o crescimento trava.
Se você está começando agora, ser multitarefa faz parte do processo. É natural. Mas quando a empresa começa a crescer, chega o momento de estruturar melhor os processos internos, organizar responsabilidades e confiar mais em quem está junto na caminhada.
Confiar não significa arriscar o negócio. Para mim, significa permitir que a empresa cresça além da minha própria capacidade individual. O crescimento não pode ficar concentrado apenas na minha mão. Ele precisa estar ligado a uma gestão compartilhada, com estratégia, processos e autonomia operacional.
Hoje existem ferramentas, inovação e até inteligência artificial ajudando empresas a melhorarem seus fluxos e ganharem agilidade. Mas isso só acontece quando o gestor entende que não precisa controlar cada detalhe sozinho.
Então eu deixo esse reforço: não tente fazer tudo achando que isso vai resolver ou acelerar o crescimento da empresa. Em muitos casos, acontece justamente o contrário.

Moris Kohl gestor, professor e conselheiro de gestão com ampla experiência no desenvolvimento de líderes e na construção de estratégias organizacionais. Atuou em cargos estratégicos na gestão pública de Blumenau e no Governo do Estado de Santa Catarina, contribuindo para projetos de inovação e governança. Há mais de 15 anos dedica-se ao Terceiro Setor e a entidades empresariais, unindo conhecimento técnico e propósito na formação de líderes que transformam realidades.
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