Uma pergunta feita durante uma visita de rotina pode parecer simples: há animais de estimação nesta casa? Em Blumenau, respostas como essa já ajudaram a montar um mapa com 9.418 cães e gatos. Em pouco mais de um ano, o Censo Pet chegou a 6.381 famílias e passou a dar uma dimensão mais clara de onde e como vivem esses animais.
Dos pets cadastrados, 4.964 são machos e 4.454 são fêmeas. O levantamento também mostra quantos já passaram pela castração. Entre os machos, 2.691 são castrados e 2.273 não. No grupo das fêmeas, 2.961 passaram pelo procedimento e 1.493 ainda não foram castradas.
A distribuição dos cadastros também revela onde essa população está mais concentrada. A Itoupava Central aparece na liderança, seguida pelos bairros Água Verde e Velha Central.
O trabalho acontece dentro das casas, aproveitando uma estrutura que já faz parte da rotina das famílias. As agentes comunitárias de saúde coletam os dados durante as visitas aos moradores, com a inclusão de uma pergunta sobre os animais no formulário utilizado pelas equipes.
A iniciativa é realizada pela Prefeitura por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS) e da Secretaria de Promoção da Saúde (SEMUS).
Segundo a SEMUS, aproveitar as visitas das agentes comunitárias permite ampliar o olhar sobre as famílias sem criar uma operação separada para o levantamento. As informações coletadas também podem ser compartilhadas entre diferentes áreas do município e usadas para orientar decisões e recursos.
Com o cadastro atualizado, a Prefeitura consegue identificar onde estão os animais, quantos vivem em cada família e quais necessidades aparecem nessa população. A proposta é usar essa fotografia para planejar políticas públicas e direcionar investimentos de acordo com a realidade encontrada nos bairros.
Cadastro vai além da contagem de cães e gatos
Saber quantos animais existem é só uma parte do Censo Pet. A base permite verificar quantos pets vivem em cada família e cruzar essas informações com dados socioeconômicos.
Esse cruzamento, realizado em conjunto com a Secretaria de Desenvolvimento Social (SEMUDES), permitiu identificar cerca de 11 mil famílias que podem ter direito ao atendimento veterinário oferecido pela SEMMAS por meio do Programa Pet +Seguro.
Na prática, o cadastro ajuda o município a aproximar uma necessidade de quem pode receber o serviço. Em vez de trabalhar apenas com estimativas gerais, as secretarias passam a contar com informações sobre a distribuição dos animais e das famílias cadastradas.
Os dados também entram na conta na hora de comprar e distribuir vacinas. Conhecendo a demanda identificada pelo Censo Pet, a Semmas consegue planejar quantas doses serão necessárias, além de organizar o armazenamento para atender tanto situações previstas quanto casos urgentes.
Um exemplo aparece quando um animal precisa ser retirado de uma situação de perigo e levado para um abrigo municipal. Para o encaminhamento, ele precisa estar com a vacinação em dia. Ter informações sobre a demanda permite que o município se prepare para manter esse suporte disponível quando uma emergência aparecer.
No fim das contas, aquela pergunta acrescentada à visita das agentes de saúde produz bem mais do que uma contagem. Já são 9.418 animais no cadastro — números que ajudam Blumenau a descobrir quem são, onde estão e do que precisam os moradores de quatro patas.





