terça-feira, 2 março 2021
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Casal que mora em apartamento adotou quatro cães

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Entrevista: João Paulo Taumaturgo | Fotos: arquivo pessoal

O casal Jacqueline Schreiber e Arthur De Vito Moraes, mais conhecido por Tuto, ama animais. Mesmo morando em apartamento, adotaram quatro cães. Arthur não se apaixonou só por Jacqueline quando a conheceu, mas também por Otto, um cão da raça bulldog inglês que ela tinha. E foi aí que surgiu o desejo de fazer o possível em prol dos animais.

adote-amiguinho_logoJacqueline é designer na Cativa em Pomerode e Arthur, corretor de imóveis na L.Fernando Imobiliária, além de vocalista da banda The Lumberjacks. Juntos eles vivem felizes com sua família e tem planos de aumentar a família. A entrevista foi concedida por Arthur para João Paulo Taumaturgo, na série de entrevistas da série “Adote um amiguinho”.

 

Arthur_Vito-Moraes_09OBlumenauense: Quantos animais domésticos adotados você tem hoje?

Arthur De Vito Moraes: Temos quatro cães ao todo, sendo 3 adotados. O Otto é um bulldog inglês. O Paul, Billy e Fred são todos SRD (Sem Raça Definida), mas cada um com traços bem legais, de várias raças e um espírito muito bom.

OBlumenauense: Quando surgiu a iniciativa da adoção?

Arthur De Vito Moraes: Na verdade foi tudo muito espontâneo. Eu tive cães na minha infância quando morava com meus pais e sempre gostei muito. Mas era a casa deles e então eram as regras deles também. Quando conheci a Jacque ela já tinha o Otto, um buldogue inglês com suas manias e criado por ela. Foi muito diferente do que eu tinha antigamente.

 

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O Otto era um membro da família, com acesso quase irrestrito a casa. A partir dele passei a ter um convívio e relação diferente de qualquer outra que tive com meus cães da infância. Através desse contato, percebi o quanto um cão tem a oferecer por seu dono. Tudo foi recíproco, criei um amor profundo tão grande pelo Otto, que comecei a gostar mais de qualquer cão e a sentir pena ao ver um na rua. Quando casamos e mudamos para o nosso primeiro imóvel, um apartamento com terraço externo bem amplo, surgiram oportunidades de resgatar alguns, sempre de forma muito natural e espontânea.

 

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Sabemos que não podemos salvar todos, então é muito mais importante que sair resgatando animais e virar um “acumulador”, apoiar o trabalho de ONG’s como a APRABLU, HACHI, entre outras. Conseguimos com que muitos cães resgatados fossem doados a amigos e familiares. Já outros que acabamos nos apegando demais, acabaram ficando conosco. Mas agora, infelizmente quatro já são um limite. E esse amor pelos cães me tornou, de certa forma, muito mais engajado pela causa animal como um todo. Por exemplo, a Jacque e minha irmã, já não usam mais maquiagem da MAC porque fazem testes em animais. Eu nunca teria ido ao Sea World em Orlando, se tivesse a consciência que tenho hoje. Hoje em dia acho os zoológicos deprimentes e não levaria meu filho lá.

OBlumenauense: Os cachorros dão muito trabalho?

Arthur De Vito Moraes: Sim, não dá pra negar. Mas é um trabalho que recompensa por si só. Acredito que os quatro dão menos trabalho que um filho, que é uma experiência que queremos ter em breve. Temos absoluta certeza que ter os cães junto a um filho, só vai tornar tudo muito mais legal, como tantos e tantos exemplos que conhecemos, pessoalmente ou não. Acho até que os cães já pedem um irmão humano… rsrsrs.

OBlumenauense: Como vocês administram a vida com quatro animais de estimação?

Arthur De Vito Moraes: O próprio processo de administrar a vida com tantos animais, já é em si algo bem divertido. Porque mudou parte dos nossos hábitos e preferências para muito melhor. É comum optarmos por lugares e passeios onde eles sejam bem vindos. Para pegar uma “baladinha”, não é problema deixá-los sozinhos. Eles até ficam cuidando da casa e felizmente podemos contar com nossos pais quando precisamos viajar sozinhos, o que é pouco comum. Eles acabam mudando nosso estilo de vida, preferências, aquisições, etc. Por exemplo, desde que a “família” cresceu, pelo menos um dos carros precisa ter espaço suficiente pra duas pessoas, quatro cães e toda a parafernália deles e nossa. Eu não ando sem um violão no carro!

OBlumenauense: Qual a maior recompensa de ter esses amiguinhos?

Arthur De Vito Moraes: As vezes brinco falando sério e até minha mãe fica brava. O Fred, o último que adotei, é a criatura viva que mais me ama na terra! Todo sarnento, desdentado e sem pelo, agora está lindo. É bem guapequinha, brincalhão, mas com uns traços de Pitbull. Já está conosco a dois anos, mas continua grato a mim como se tivesse sido ontem que o resgatei.

 

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A Jacque sabe que é verdade. Nossa maior recompensa é esse amor que recebemos de volta. Lembra do texto final do livro “Marley e Eu”? É aquilo lá! De quantas pessoas você pode falar em sua vida, que realmente te amam incondicionalmente e não se importam com seu sucesso, etc. É por aí! Aposto que todos os leitores com um animal em casa sabem do que estou falando. Especialmente um cão.

OBlumenauense: Qual a dica que você dá para quem pensa em adotar um cão?

Arthur De Vito Moraes: Nenhuma. Adote e seja feliz. Sempre peguei direto da rua, mas também recomendo os abrigos, como o CEPREAD e as ONG’s já citadas. Se pegar direto da rua, vá direto a uma clínica veterinária. Dica mesmo, eu dou pra quem vai comprar um cachorro: não compre, adote!

OBlumenauense: E para finalizar, o que você pensa do comércio de animais, como a reprodução e venda de cães de raça?

Arthur De Vito Moraes: É uma importantíssima questão. Outro dia saiu na capa da Veja que existem mais cães do que crianças nos lares brasileiros. Aí você se aprofunda e vê que estão falando do mesmo país onde existem mais de 20 milhões de cães abandonados pelas ruas. Olha, é delicado, porque minha opinião pode acabar ofendendo a alguém e não é a intenção. Até porque eu tenho um bulldog que “herdei” da Jacque, e foi ele que despertou meu amor pelos animais em geral.

 

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Justamente por isso, se tivesse o poder pra “canetear” qualquer coisa, meu sonho seria proibir o comércio de animais no país. É claro que não podemos generalizar 100% dos casos. Mas grande maioria dos criadores não tem compromisso com a saúde dos animais. Pegam uma fêmea com uma vida enjaulada, para ficar procriando sem parar, longe de qualquer carinho ou sentimento mais humano. Vida mais triste que de cão abandonado.

 

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Aí nascem os filhotes que raramente passam pelo período mínimo necessário com a mãe. Caso não tenham o padrão da raça ou estejam muito “grandinhos” e gastando demais com ração, abrem-se os portões e os soltam na rua. Sem contar que quando tudo dá certo, boa parte dos filhotes vai para aqueles aquários ridículos de um Pet Shop, com gente batendo no vidro que nem retardados. O animal fica todo estressado, isso quando não bate com a nuca no teto de vidro do aquário, coisa que também já vi muito por aí! Comprar animal nesses casos não deixa de ser um resgate.

Para ser sincero,  julgo algo muito fútil querer um cão da raça. É um ledo engano, pois acredito que a personalidade de um cão tem muito mais a ver com a forma como ele é criado e convive com os donos do que com a raça. Mas enfim, sempre existem exceções então. Eu sempre aconselho para quem realmente quer ter um cão determinada raça, que o trate com muito carinho e responsabilidade. Castração é fundamental, um ato de bondade. Se o seu cão fugir pra perseguir uma cadela no cio (ele não pode evitar) a responsabilidade pelos filhotes é sua sim!

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João Paulo Taumaturgohttps://www.facebook.com/amoblumenau
De formação administrador, mas comunicador por paixão. Procuro trazer pontos de vista sobre os mais variados assuntos. Amo Blumenau.

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