Casa Fritz Müller reabre em Blumenau após reforma e celebra 90 anos de história
Blumenau voltou a abrir as portas de um dos espaços mais importantes para a ciência e a história da cidade. Nesta quinta-feira (25/06/26), a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS), realizou a cerimônia de reabertura do Museu Fritz Müller, que celebrou os 90 anos da instituição.
O ato simbolizou o início de uma nova etapa para o espaço localizado na Rua Itajaí, nº 2.195, no bairro Vorstadt. Após um amplo processo de revitalização e atualização museológica, o espaço agora chamado de Casa Fritz Müller volta a receber visitantes com uma proposta que amplia a preservação histórica e fortalece a vocação educativa, transformando o legado do naturalista em uma oportunidade de observação, descoberta e construção do conhecimento.

Antes dos discursos, foram executados o Hino Nacional Brasileiro e o Hino de Blumenau, em um momento de respeito conduzido pela cerimonialista. Durante a cerimônia, autoridades, convidados e membros da comunidade puderam conhecer os novos espaços expositivos e as experiências desenvolvidas para aproximar o público da forma como Fritz Müller observava e compreendia a natureza, estimulando a curiosidade, o pensamento científico e a conexão com o meio ambiente.
A historiadora e curadora da exposição, Ana Maria Ludwig Moraes, explica que a curiosidade de Fritz Müller nasceu ainda na infância, quando o pai incentivava os filhos a explorar a natureza e aprender pela experiência. Segundo ela, essa mesma ideia orienta a nova proposta da Casa Fritz Müller: aproximar crianças do ambiente natural para despertar a observação, a curiosidade e o interesse pela ciência. A presença de uma turma do 5º ano da Escola Básica Municipal Vidal Ramos reforçou essa proposta.

Entre os destaques da nova estrutura está a Casa do Pensamento, ambiente que apresenta a trajetória humana, intelectual e científica do naturalista, aproximando o público de suas ideias, escolhas, valores e contribuições para a ciência.
Já o Laboratório Vivo transforma o jardim histórico da casa em um espaço de investigação e aprendizagem ao ar livre: inspirado nos métodos de observação utilizados pelo próprio Fritz Müller, o local reúne estações interativas, jogos, desafios e atividades voltadas à alfabetização científica de crianças, jovens e famílias.
Mais acessibilidade
Entre as novidades da reabertura está a implantação de recursos de acessibilidade, ampliando as oportunidades para que pessoas com deficiência possam conhecer o espaço. As melhorias foram desenvolvidas em parceria com a Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Paradesporto (SEIDEP), com foco na Sala Fritz Müller e em atividades educativas do museu.
Entre os recursos implantados estão vídeos em Língua Brasileira de Sinais (Libras), acessados por QR Codes instalados junto aos painéis expositivos, com informações sobre a vida, as pesquisas e o legado científico do naturalista. Também foram produzidas descrições de imagens dos painéis, permitindo que pessoas cegas ou com baixa visão tenham acesso ao conteúdo visual da exposição.

Parcerias com a comunidade
A organizadora do evento agradeceu publicamente o apoio de diversas entidades que contribuíram para a reabertura, entre elas o Rotary Kids Blumenau, que arrecadou recursos por meio da venda de brigadeiros para custear atividades interativas do museu, e o Rotary Clube de Blumenau-Garcia, responsável pelo apoio a painéis e atividades especiais.
A organização da Gincana Cidade de Blumenau, representada por Fernando Reinert, doou lanternas e lanternas UV para as atividades do espaço, enquanto a Escola Barão colaborou com um modelo gigante de formigueiro e a curadoria de uma sala de cooperação em miniatura, sob coordenação da professora Glória.
A Liderare também apoiou a reorganização do acervo e firmou parceria para atividades aos sábados. A curadoria geral ficou a cargo de Ana Maria Ludwig, com suporte técnico de Sueli Petry e Lauro Baca, este último responsável também pelos cuidados com o jardim da casa.

O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Robson Tomazoni, classificou a reabertura como “um marco de continuidade” e afirmou que o desafio, a partir de agora, é não deixar o patrimônio se deteriorar novamente.
Segundo ele, o museu deixa de ser apenas uma vitrine e passa a funcionar como um espaço de interação, com a proposta de ampliar gradualmente as atividades oferecidas. Tomazoni também rebateu comparações regionais sobre a “disputa” da memória de Fritz Müller entre Blumenau e Florianópolis, afirmando que o legado do cientista é maior do que o museu e que cabe à cidade preservar, sobretudo, a casa onde ele viveu.
Ministério Público elogia iniciativa e cita pouca visibilidade do cientista
O promotor Leonardo Todeschini, da 13ª Promotoria Regional do Meio Ambiente, lembrou que Fritz Müller ainda é pouco conhecido tanto em Santa Catarina quanto no restante do Brasil, apesar de sua contribuição para a ciência mundial. Ele recordou que, na época da imigração alemã, a maior parte dos imigrantes ligados à ciência optou pelos Estados Unidos, e destacou que o museu cumpre papel importante ao aproximar crianças e jovens da trajetória do naturalista, que avançou em suas pesquisas com poucos recursos — segundo o promotor, basicamente um microscópio e muita curiosidade.
Vereador lembra papel do pai na preservação da memória do cientista
O vereador Rodrigo Marchetti também discursou na cerimônia e mencionou a atuação de seu pai, Marcondes, na recuperação histórica da figura de Fritz Müller. Marchetti reforçou a relevância do cientista na construção da teoria da evolução, ao lado de Charles Darwin, o que lhe rendeu o título de “Príncipe dos Observadores”.
Vice-prefeita relembra contribuição da FURB
A vice-prefeita Maria Regina de Souza Soar (Republicanos) destacou a parceria com a Universidade Regional de Blumenau (FURB) no processo de reestruturação do espaço e agradeceu à presença de familiares de doadores de acervo, incluindo Maike Renate Reinert, sobrinha de Hans Wupp, responsável pela doação de uma coleção de borboletas e insetos ao museu.
Prefeito anuncia QR Codes e reforça caráter educativo do espaço
O prefeito Egídio Ferrari agradeceu às equipes envolvidas na restauração e afirmou que a experiência de visita ao museu deve começar já na entrada do espaço, em meio à vegetação do entorno.
Segundo o prefeito, a Prefeitura prevê a instalação de QR Codes que permitirão aos visitantes acessar, pelo celular, conteúdos complementares sobre a história do local. Ferrari reforçou ainda a intenção de manter o espaço aberto e ativo, com novos eventos programados para ampliar a divulgação da história de Fritz Müller entre estudantes e moradores da cidade.
Artista interpreta Fritz Müller durante a cerimônia
Encerrando a programação, Reynaldo Wilmar Pfau, biólogo e artista plástico, interpretou Fritz Müller e deu as boas-vindas ao público, em tom mais leve e pessoal. Na fala, ele comentou sobre os hábitos do naturalista, como o costume de caminhar descalço por Santa Catarina, e relembrou que precisava usar sapatos em ocasiões formais, como durante sua passagem pela presidência da Câmara de Blumenau.
Pfau também atribuiu o interesse de Müller pela natureza à influência do pai e do avô, e relatou que o cientista chegou a questionar, durante a viagem de navio ao Brasil, se havia tomado a decisão certa ao emigrar — dúvida que, segundo a interpretação, se desfez com o tempo.

Horários
O Museu Fritz Müller está aberto gratuitamente à visitação de terça a sexta-feira, das 10h às 16h, e aos sábados, das 9h às 13h. O agendamento de grupos pode ser realizado pelo telefone (47) 3381-6374. Mais informações pelo e-mail museufritzmuller@blumenau.sc.gov.br.
















