Caio Fontenelle conta em vídeo como transformou memória afetiva em negócios gastronômicos

Após anos em empresas como Nestlé, Ambev e Unilever, ele decidiu trocar o mundo corporativo pela cozinha e hoje comanda três restaurantes em Blumenau.

Entrada do Restaurante Figueira | Foto: Claus Jensen [OBlumenauense]
Caio Fontenelle deixou o mundo corporativo para transformar uma lembrança de infância — a cozinha ao lado da mãe — em carreira. Depois de atuar em empresas como Nestlé, Ambev, Unilever, Portobello, Marisol e Hering, ele planejou a transição: fez mestrado em Empreendedorismo e Novos Negócios, deu aulas (Brusque, Balneário Camboriú e Blumenau) e passou dois anos se preparando até abrir o primeiro restaurante.

Foto: Kamile Bernardes

Paulista de nascimento, Caio morou em Blumenau pela primeira vez entre 1985 e 1986, quando o pai trabalhou na Círculo, e voltou em 1994. Aqui, consolidou três propostas diferentes: Figueira, Pepper Jack e Oliv.

No Figueira, a aposta inicial foi em carnes altas na parrilla. A leitura urbana também pesou: ele escolheu uma rua então pouco valorizada, apostando na revitalização do entorno dos Parques Vila Germânica e Ramiro Ruediger.

Com o Pepper Jack, a ideia foi tratar o hambúrguer com a carne como protagonista, somando itens Tex-Mex como burritos, quesadillas e nachos. Antes de implementar, Caio fez imersões práticas: estágios em restaurantes na Argentina e no Uruguai, visitas a frigoríficos e observação de processos em cozinhas nos Estados Unidos (ex.: The Purple Pig, Chicago) e em São Paulo (ex.: Zucco). O foco, diz, não era “pegar receita”, e sim entender metodologia e padrão.

O Oliv mira a cozinha mediterrânea — simplicidade e qualidade de ingredientes em massas, risotos, pescados e carnes. O nome homenageia a filha, Olívia; no aniversário de seis anos, o letreiro interno chegou a ser completado com “Olivia”. O endereço tem dois diferenciais logísticos para o público local: estacionamento e área que não alaga. No mesmo espaço, funciona uma unidade da Grand Cru.

Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]
Para sustentar as operações, Caio investe em gestão de processos. Com fichas técnicas, fluxos operacionais e rotinas de capacitação, ele busca reduzir o impacto do turnover (rotatividade de funcionários) — um desafio recorrente no setor — e manter padrão de qualidade na execução (da higienização às pesagens e tempos de preparo).

Aos 57 anos, casado, Caio afirma que prefere crescer com controle próximo. Ele descarta franquias em grande escala e considera replicar marcas apenas com sócio-operador presente no dia a dia (“um Figueira em outra cidade”, por exemplo). Entre os planos para o futuro, nada de concreto em relação a novos negócios por enquanto. Ele apenas citou o quanto aprecia a culinária árabe, os sabores das pizzas e a proposta das pastelarias.

“Empreender não é salto no escuro. É estudar, fazer contas, planejar e conhecer o mercado”, resume. Confira a entrevista concedida na quarta-feira (10/09/25) no restaurante Figueira, onde o sonho de infância se concretizou.

 


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