Buscas da Polícia Civil focam empresas suspeitas de replicar tecnologia química

Investigação apura uso indevido de informações sigilosas após saída de profissionais e levanta hipótese de concorrência desleal.

Foto: Polícia Civil

Uma operação da Polícia Civil do Paraná colocou no centro da investigação empresas do setor químico suspeitas de utilizar tecnologia obtida de forma irregular. A ação ocorreu nesta terça-feira (18/03/26), com cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

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Batizada de “Manus Infidelis”, a ofensiva foi conduzida pela 1ª Delegacia Regional de Polícia de São José dos Pinhais e integra um inquérito que apura possíveis crimes de associação criminosa, violação de segredo profissional e concorrência desleal.

Suspeita envolve circulação de informações estratégicas

O ponto de partida da investigação foi uma denúncia formal apresentada por advogados de uma empresa do ramo químico. A companhia relatou indícios de que informações internas, consideradas estratégicas, estariam sendo utilizadas por terceiros.

Esses indícios surgiram a partir de processos internos de compliance, que identificaram possíveis irregularidades envolvendo ex-funcionários e empresas concorrentes — cenário associado à chamada espionagem industrial.

A empresa que apresentou a denúncia atua há décadas no desenvolvimento de soluções químicas voltadas principalmente às indústrias de papel, celulose e têxtil. Entre seus ativos estão fórmulas, métodos de produção, cadeias de fornecedores e técnicas de aplicação tratadas como segredo industrial.

Transferência de profissionais levanta alerta

Segundo a apuração inicial, a possível utilização indevida dessas informações teria ocorrido após a migração de profissionais e executivos para empresas concorrentes localizadas em Santa Catarina.

A suspeita é de que esse movimento tenha facilitado o acesso a dados sensíveis, permitindo a reprodução de produtos e tecnologias semelhantes no mercado.

Com base nesses elementos, a Polícia Civil instaurou inquérito fundamentado no artigo 154 do Código Penal, no artigo 288 e no artigo 195 da Lei nº 9.279/1996.

Ação recolhe materiais e valores

As buscas ocorreram tanto na sede da empresa investigada quanto nas residências de quatro alvos. Durante a operação, foram apreendidos diversos itens considerados relevantes para a investigação.

Entre eles estão:

  • Registros com fórmulas químicas
  • Listagem de representantes comerciais
  • Currículo de uma ex-funcionária, atualmente vinculada à outra empresa no setor de celulose
  • Anotações com nomes de produtos
  • Materiais institucionais da empresa, como caderneta, agenda, uniforme (agasalho e calça), mochila e 10 canetas
  • Documentos diversos relacionados
  • Cadernos de anotações
  • Amostras do produto químico RU coletadas no laboratório e na fábrica, incluindo versões com indicação de diluição e produto base
  • Notebook MacBook
  • Notebook apreendido em endereço localizado em Itapema (SC)
  • Um celular iPhone 15 Pro Max
  • Uma CPU de computador da marca LG
  • Quantias em dinheiro: R$ 100 mil em espécie, além de US$ 2.834, NZD 4.815, GBP 1.715, EUR 5.705 e 50 pesos da Guatemala

Perícia deve comparar substâncias

Peritos da Polícia Científica acompanharam a operação e realizaram a coleta técnica de substâncias químicas produzidas pela empresa investigada. O material será analisado para verificar possível semelhança com produtos da empresa que apresentou a denúncia.

Além disso, equipamentos eletrônicos passarão por extração de dados, enquanto documentos e demais itens apreendidos serão examinados no curso da investigação.

Apuração segue em andamento

O caso envolve empresas de destaque no setor químico nacional e busca esclarecer se houve uso indevido de informações protegidas, reprodução irregular de tecnologias e práticas que possam configurar concorrência desleal.

A Polícia Civil informou que novas diligências ainda poderão ser realizadas. O objetivo é aprofundar a análise do material coletado e definir eventuais responsabilidades criminais.

Nota da empresa investigada

A empresa informou através de nota que tomou conhecimento das notícias veiculadas sobre a investigação conduzida pela Polícia Civil do Paraná e acompanha o caso. O comunicado à imprensa afirma que “conduz suas atividades em conformidade com a legislação vigente e não pratica qualquer ato ilícito. Seus produtos são resultado de desenvolvimento próprio, baseado em processos técnicos e de pesquisa, com respeito aos direitos de propriedade intelectual.A companhia está à disposição das autoridades e confia no andamento das investigações.”


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