Brasil inaugura maior biofábrica do mundo para combater dengue, zika e chikungunya com mosquitos “do bem”

Unidade pode produzir até 100 milhões de ovos por semana de Aedes aegypti com Wolbachia, bactéria que impede a transmissão de vírus. Blumenau e Balneário Camboriú estão entre as cidades que receberão a tecnologia no segundo semestre.

Foto: Flávio Carvalho / WMP Brasil / FioCruz

Neste sábado (19/05/25), foi inaugurada a Wolbito do Brasil, considerada a maior biofábrica do mundo dedicada à produção de mosquitos com a bactéria Wolbachia, capaz de bloquear a transmissão dos vírus da dengue, chikungunya e zika. Os dados são do Ministério da Saúde, que considera a iniciativa um passo importante no combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

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A nova unidade fica no Paraná e é resultado de uma parceria entre o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP). Com cerca de 70 funcionários, a fábrica afirma ter capacidade para produzir até 100 milhões de ovos de mosquito por semana.

Inicialmente, a produção será destinada exclusivamente ao Ministério da Saúde, que define os municípios contemplados com base nos mapas de incidência das arboviroses. O método, testado no país desde 2014, teve início em bairros do Rio de Janeiro e Niterói (RJ), e já chegou a seis cidades: Londrina, Foz do Iguaçu, Joinville, Petrolina, Belo Horizonte e Campo Grande.

Atualmente, o método está sendo implantado em Presidente Prudente (SP), Uberlândia (MG) e Natal (RN), Valparaíso de Goiás, Luziânia (GO) e Brasília (DF). Em Santa Catarina, três cidades contarão com a tecnologia nesta fase inicial: Joinville, Balneário Camboriú e Blumenau.

Segundo a Wolbito, essas cidades estão na fase de comunicação e engajamento da população, e a liberação dos mosquitos com Wolbachia está prevista para o segundo semestre.

O método não envolve mosquitos transgênicos e é complementar às ações de combate aos focos do mosquito, como a eliminação de água parada. As Wolbachias são bactérias comuns na natureza e estão presentes em mais da metade dos insetos do mundo. Quando inseridas no Aedes aegypti, elas impedem que o mosquito transmita os vírus ao ser humano.

Além disso, os mosquitos com Wolbachia conseguem se reproduzir naturalmente com os mosquitos locais, espalhando a bactéria e ampliando sua presença na população de Aedes aegypti. Estudos apontam que isso reduz drasticamente a circulação das doenças e, ao mesmo tempo, representa uma economia significativa para o sistema de saúde.

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cada R$ 1 investido no método pode gerar uma economia entre R$ 43 e R$ 549 em tratamentos, internações e medicamentos.

A criação da Wolbito do Brasil foi possível graças à parceria entre o Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), ligado ao governo estadual, e a Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde. Durante a inauguração, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância da iniciativa: “A inauguração dessa fábrica coloca o Brasil, por meio dessa associação da Fiocruz com o Tecpar, aqui no Paraná, na linha de frente dessa tecnologia para todo mundo.”

A tecnologia já está presente em 14 países, e o Brasil agora lidera mundialmente em capacidade de produção desse tipo de mosquito, reforçando sua atuação na prevenção de arboviroses de forma sustentável e inovadora.

Prefeitura de Blumenau prevê que a tecnologia será aplicada a partir de agosto

Em Blumenau, os bairros que receberão os Wolbitos nesta fase inicial são: Velha Central, Itoupavazinha, Velha, Água Verde, Itoupava Norte, Garcia, Fortaleza, Progresso, Vila Nova, Tribess e Itoupava Seca.

Antes da liberação desses insetos, prevista para começar em agosto, a equipe da Wolbito do Brasil, responsável pela operação do método no país, e a Prefeitura de Blumenau vão intensificar as ações informativas nos bairros contemplados, com o objetivo de esclarecer dúvidas e garantir o apoio da população. A comunicação será focada em explicar o funcionamento da tecnologia e seus benefícios para a saúde pública.


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