Brasil envia equipe de resgate e toneladas de equipamentos para ajudar vítimas dos terremotos na Venezuela

Avião da FAB parte nesta sexta-feira (26/06) com bombeiros, especialistas e carga para buscas; país contabiliza 589 mortes e mais de 50 mil desaparecidos.

Foto: Sgt Müller Marin/FAB

O Brasil iniciou nesta sexta-feira (26/06/26) uma operação de apoio à Venezuela após os terremotos que atingiram o país na noite da última quarta-feira (24). Às 10h, uma aeronave KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou da Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos (SP), levando equipes de resgate e equipamentos que serão usados nas buscas por sobreviventes.

A missão é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. No avião seguem profissionais especializados em Busca e Resgate Urbano de nível pesado, reunindo integrantes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, bombeiros militares de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A operação conta com 36 bombeiros, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e quatro técnicos da Anatel. Esses profissionais utilizarão tecnologia para rastrear sinais de celulares e tentar localizar pessoas que possam estar presas sob os escombros.

Além das equipes, o KC-390 transporta nove toneladas de equipamentos destinados às ações de busca e salvamento. Um segundo voo está previsto para sábado (27), levando materiais para a instalação de um hospital de campanha na Venezuela. A carga inclui medicamentos e 100 purificadores de água com painel solar.

Enquanto a ajuda internacional começa a chegar, o número de vítimas segue aumentando. Dados atualizados nesta sexta-feira (26) pela presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, apontam 589 mortos e mais de 2,9 mil feridos em consequência dos terremotos.

Durante o pronunciamento, Delcy afirmou que dezenas de pessoas foram resgatadas com vida desde o desastre. Segundo ela, esses resgates permitem que muitas famílias voltem a se reencontrar em meio à tragédia.

Mesmo assim, a dimensão da catástrofe ainda é incerta. O site Desaparecidos Terremoto Venezuela, criado por integrantes da sociedade civil para reunir informações extraoficiais, estima que mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas.

As projeções do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que o desastre pode ter provocado dezenas de milhares de vítimas. O órgão também estima perdas econômicas entre 1% e 7% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano.

A atividade sísmica continua preocupando as autoridades. De acordo com Delcy Rodríguez, desde os dois terremotos principais foram registrados outros 214 tremores secundários, conhecidos como réplicas.

Os abalos tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter e atingiram principalmente o estado de La Guaira, onde diversos edifícios desabaram.

Diante da destruição, o governo venezuelano declarou La Guaira como zona de desastre natural. Segundo Delcy Rodríguez, a medida foi necessária porque o fenômeno devastou áreas inteiras do estado e exigiu a adoção de planos especiais de resposta para atender a população afetada.


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