Bombeiros registraram 60 mortes por afogamento no verão 2025/2026 em Santa Catarina

Mesmo assim, houve uma pequena queda em relação à temporada anterior. A média foi de 25 salvamentos diários ao longo dos 156 dias de operação.

Praia em Balneário Piçarras (SC) | Foto: Paty W. Ziegler

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina encerrou no último domingo (5/04/26) a Estação Verão 2025/2026 com números que contam duas histórias ao mesmo tempo: a da prevenção que funcionou e a das mortes que poderiam ter sido evitadas.

Em 156 dias de operação (desde 1º de novembro de 2025), a corporação registrou 3.876 salvamentos, queda de 10,9% em relação à temporada anterior. Os casos de arrastamento, principal tipo de ocorrência nas praias catarinenses, recuaram 11,5%, de 4.241 para 3.753. No mesmo período, as ações preventivas cresceram 6,7%, totalizando 16 milhões — ou mais de 102 mil por dia.

 

Imagem ilustrativa de uma corrente de retorno.

O risco invisível

A corrente de retorno voltou a ser o principal perigo das praias. Silenciosa e rápida, ela é quase imperceptível para quem ignora as bandeiras de sinalização — e foi responsável pela esmagadora maioria dos salvamentos da temporada. A redução nos números em relação ao verão passado reflete a combinação de sinalização mais eficiente e orientação constante dos guarda-vidas.

 

Foto: Corpo de Bombeiros Militar de SC

Onde as mortes acontecem

Foram 60 óbitos por afogamento no período, sendo 38 em praias e 22 em água doce — redução de 6,25% frente às 64 mortes da temporada anterior. Mas o dado mais revelador está na distribuição: 56 das 60 mortes, ou 93,3%, ocorreram em locais sem cobertura de guarda-vidas.

Das 38 mortes em praias, 29 aconteceram em áreas sem posto. Em água doce, todas as 22 ocorreram sem nenhuma cobertura.

 

Foto: Corpo de Bombeiros Militar de SC

Crianças e conscientização

O número de crianças perdidas caiu 47,8%: de 4.486 na temporada anterior para 2.340 neste verão. A redução é atribuída ao uso mais amplo das pulseiras de identificação distribuídas gratuitamente nos postos e ao reforço das orientações.

O Programa Golfinho certificou 11.430 crianças; outras 613 pessoas com deficiência foram atendidas pelo Praia Acessível. Os atendimentos por picada de água-viva chegaram a 29 mil — ante 28 mil na temporada anterior, alta de 3,6%.

O comandante-geral Fabiano de Souza resumiu a temporada: “Salvar vidas começa antes da emergência. Começa na escolha de áreas guarnecidas, no respeito à sinalização, na atenção redobrada com as crianças.”

Repare um detalhe importante que nos leva a refletir: 93% por cento das mortes aconteceram onde não havia nenhum profissional habilitado para ajudar. O verão acabou, mas o recado ficou.


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