Blumenauense é eleito melhor diretor em festival internacional de cinema nos Estados Unidos

Jonas Serpa Souza conquista prêmio no NFFTY, considerado uma das principais portas de entrada para jovens cineastas no mundo.

Foto: Matt Berrett / divulgação

Em meio aos aplausos de um dos maiores festivais do mundo voltados a novos cineastas, um nome de Blumenau ganhou destaque internacional. Jonas (João Vinicius) Serpa Souza foi eleito melhor diretor no NFFTY (National Film Festival for Talented Youth), realizado em Seattle, nos Estados Unidos, marcando sua estreia no evento com uma conquista expressiva.

O NFFTY, que chegou à sua 19ª edição entre os dias 26 e 29 de março de 2026, é reconhecido como o maior festival global dedicado a realizadores com até 23 anos. Para muitos jovens, funciona como uma vitrine decisiva, equivalente ao que eventos como Cannes e Sundance representam para o cinema profissional.

O prêmio veio com o curta-metragem Soldiers, dirigido por Jonas, e foi concedido por um júri técnico, que avaliou o conjunto da obra. A escolha leva em conta elementos como direção de elenco, ritmo narrativo, edição, fotografia e coerência estética — um reconhecimento amplo sobre a condução do projeto.

Ryan Dombrowski (Produtor), ao lado dos sócios da Bicho Productions: Rebecca Rhodes, Jonas Serpa Souza e Genna Roth | Foto: divulgação

Mais do que um troféu, a premiação sinaliza o potencial do cineasta em um cenário competitivo e aponta para uma trajetória que começa a ganhar forma no circuito internacional. A produtora responsável pelo filme é a Bicho Productions, em que Jonas (escritor, diretor e editor) é sócio de Rebecca Rhodes (produtora criativa e diretora) e Genna Roth (diretora de fotografia e colorista).

 

Genna Roth e Jonas Serpa Souza nos bastidores | Foto: Chris Kostopolous

“Foi nosso primeiro festival […] Quando a gente fez o Soldiers, parecia uma ideia maluca.”

Em áudio enviado ao OBlumenauense na manhã desta sexta-feira (3), Jonas contou a experiência com entusiasmo. “Foi nosso primeiro festival, a primeira vez que enviamos Soldiers e também a primeira resposta que recebemos — e foi uma experiência sem igual. Quando criamos o filme, parecia uma ideia maluca: eu e um grupo de americanos produzindo uma história sobre o Brasil, abordando um momento importante da nossa história, mas que não se passa no país onde nasci e nem nos Estados Unidos”.

O diretor destacou que, pela complexidade do tema abordado, havia certa apreensão sobre a forma como seria recebido: “A gente arriscou bastante. É uma obra que trata de homossexualidade, violência, sexo, revolução e descobrimento — temas que sempre fizeram sentido para mim como criador, mas que inevitavelmente trazem aquele receio.”

Foto: Chris Kostopolous

Jonas disse que ver a reação do público foi o ponto alto, antes mesmo do prêmio. “Nós estávamos em uma sala cheia, com o público reagindo, batendo palmas, rindo quando precisava e se chocando nos momentos certos. Acima de tudo, foi uma baita experiência estar eu, a Genna e a Rebecca juntos, representando nossa produtora — cujo objetivo é fazer filmes diferentes, que não se encaixam e que vêm de outros lugares.”

Sobre o prêmio de melhor diretor, ele admitiu que não esperava. “Estava com a minha camisa do Brasil de 2013, da Copa das Confederações, porque achei que não ia ganhar nada. Quando apareceu o nosso nome na tela, eu apaguei completamente.”

Para ele o prêmio de direção é, na prática, um reconhecimento de visão: “Ter a nossa [visão] reconhecida é muito encorajador. Porque é diferente, é brasileira. De alguém que vive como imigrante. Eu cresci ouvindo que não se fazia cinema no Brasil, que era preciso ir para os Estados Unidos para aprender. E, chegando aqui, entendi que ser do Brasil e valorizar o nosso cinema é justamente o que me diferencia”.

O blumenauense também destacou que o Brasil teve dupla representação no festival. “Tinha outro filme brasileiro, São Paulo Nova York, de um amigo meu, o Eduardo, que mora em Nova York. O Brasil estava bem representado e isso mostra que vale a pena fazer cinema brasileiro e contar histórias que não são tão mainstream.”

 

Foto: divulgação

Quem é Jonas Serpa Souza

João Vinicius Serpa Souza nasceu em fevereiro de 2003, em Blumenau, e desde cedo encontrou nas artes uma forma de expressão. Ainda na adolescência, iniciou sua trajetória no teatro, escrevendo e atuando desde 2014, enquanto começava a desenvolver seus primeiros projetos audiovisuais a partir de 2017.

Em 2021, deu um passo decisivo ao se mudar para os Estados Unidos, onde passou a estudar na DePaul University.  Como os norte-americanos tinham dificuldade em dizer João Vinícius, acabou adotando Jonas, um apelido dele aqui no Brasil quando jogava RPG.

Durante a formação, conquistou o bacharelado em Cinema e Televisão, com especialização complementar em Estudos Teatrais. Nesse período, consolidou sua linguagem autoral, marcada por narrativas que exploram intimidade, identidade e vivências quer de forma direta, muitas vezes tensionando padrões estabelecidos tanto no cinema quanto na sociedade. Seus trabalhos passam a dialogar não apenas com experiências pessoais, mas também com movimentos contemporâneos.

O filme

É nesse contexto que surge o curta Soldiers, uma obra influenciada tanto pelos protestos pró-Palestina no ambiente universitário quanto por uma investigação constante sobre identidade. O filme propõe um olhar menos acomodado, evitando simplificações e buscando evidenciar as complexidades das transformações sociais. Essa abordagem se conecta ao conceito de “Bicho”, utilizado pelo próprio diretor para representar pessoas cujas histórias costumam ser ignoradas.

Antes disso, Jonas já havia dirigido Homily (2023), curta que acompanha o despertar queer de um padre e que foi viabilizado por financiamento coletivo. Paralelamente ao cinema, manteve sua ligação com o teatro, fundando em Blumenau o Coletivo Teatral Flor’Arte ao lado da diretora e educadora Suellen Verônica Junkes.

O reconhecimento internacional mais recente, com o prêmio de melhor direção no NFFTY, em Seattle, marca um ponto de virada em sua trajetória. Mais do que a conquista em si, o momento simboliza a chegada de um novo olhar ao cinema — alguém disposto a desafiar estruturas e transformar inquietações em linguagem artística.

 

Equipe técnica e elenco de Soldiers | Foto: Chris Kostopolous

ELENCO E EQUIPE

Renato: Luis Antonio Mora
O Policial: Nico Fernandez
Clara: Eliana Deckner-Glick
Silvio: Jef Burnham
Bêbado: Zeno Camera
Repórter: Sofia Mohta
Delegado: Jonas Serpa Souza

Diretor e roteirista: Jonas Serpa Souza
Produtores executivos: Genna Roth e Jonas Serpa Souza
Produtores: Ryan Dombrowski, Maya Hennessey e Rebecca Rhodes

Assistente de direção: Rebecca Rhodes
2º assistentes: Matt Booden, Kaity Holmes, Jillian Walls e Margarita Litchfield

Chefe dos assistentes de produção (Key PA): Delaney Kaufman
Assistentes de produção (PAs): Natalie Albaugh, Alissa Berez e Sloan Goodwin

Script supervisor / continuidade: André Cecilio
Coordenadora de intimidade: Toranika Washignton (planeja, coreografa e supervisiona cenas de nudez, sexo simulado ou contato físico intenso em filmes e séries, garantindo a segurança física e emocional dos atores)
Fotógrafo de bastidores: Christopher Kostopoulos
Catering (suporte de alimentação e hidratação): Nicolas Kim e Quinn Howarth

Diretora de fotografia: Genna Roth
1º assistente de câmera: Audrey Weber
2º assistente de câmera: Lily McCauley
Assistente de câmera de apoio (Cam Utility): Hunter Nealey
DIT: André Cecílio e Quinton Strain

Chefe de elétrica / iluminação (Gaffer): Kayla Garcia
Assistente: Meredith Smith
Equipe elétrica: Nicolas Amat

Chefe de maquinaria (Key Grip): Dominic Mongelli
Best Boy Grip: Ryan Santia
Grip / equipe de maquinaria: Isa Gonzalez, Victor Garces e Sean Bennett
G&E Swing: Cameron Eader

Designer de produção / direção de arte: Averyy Macnab e Simone Cruice-Barnett
Assistente de arte: Mayah Gold
Armeiro: Rob Ludtke

Figurinista: Bella Parkinson
Maquiadora: Mady Brenn

Som: Meghan Shaw e Lucie Moore

Figurantes: José Jaquinto, Dane Dal Bianco, Sara Teixeira Vianna, Noah Tomko Jones, Miguel “Xará”, Eric Lewis, Bruno Pedrini, Enzo Menezes, Paola Battistella, Mosé Lemav Quinn Howarth

Foto: Chris Kostopolous
Foto: Genna Roth
Foto: Chris Kostopolous
Foto: Chris Kostopolous
Foto: Chris Kostopolous
Foto: Genna Roth
Foto: Chris Kostopolous
Foto: Chris Kostopolous
Foto: Chris Kostopolous

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