Blumenau apresenta primeiros resultados de resgate de fauna e firma pacto regional

Programa já registrou 378 ocorrências em 34 bairros; carta reúne instituições em defesa da biodiversidade.

Foto: Eraldo Schnaider

Um gambá ferido, uma capivara em área urbana, um bugio ameaçado de extinção. Situações como essas ajudam a dimensionar o desafio da convivência entre pessoas e animais silvestres no Médio Vale do Itajaí. O tema esteve no centro do 1º Fórum de Fauna Silvestre do Médio Vale do Itajaí, realizado em Blumenau.

O encontro reuniu representantes de órgãos públicos, instituições de pesquisa e entidades ligadas à conservação ambiental. Entre os destaques da programação esteve a apresentação dos primeiros resultados do Programa Municipal de Resgate de Fauna Silvestre, criado pela Prefeitura de Blumenau por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS).

A equipe mostrou como era feito o atendimento aos animais silvestres até 2025 e detalhou as mudanças implementadas com a criação do serviço municipal. Também foram apresentados os procedimentos adotados desde o acionamento da comunidade até o resgate e o encaminhamento dos animais.

Entre janeiro e meados de junho de 2026, o programa registrou 378 acionamentos envolvendo 69 espécies em 34 bairros de Blumenau. No período, foram contabilizados 107 atropelamentos, 72 conflitos entre animais e moradores e 50 ataques provocados por animais domésticos.

Os bairros com mais registros foram Itoupava Central, Velha, Centro, Fortaleza e Progresso. Entre os animais mais atendidos aparecem gambás, capivaras, cutias e aracuãs.  O levantamento também inclui o resgate de espécies ameaçadas de extinção. Entre elas estão um gavião-pombo-pequeno, quatro bugios-ruivos e dois gatos-do-mato-pequenos.

O fórum contou ainda com a participação de profissionais da Polícia Militar Ambiental, Corpo de Bombeiros Militar, Serviço de Atendimento de Animais Silvestres de Blumenau (SAASBlu), Coleção de Zoologia e Taxidermia da Furb, Celesc, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto do Meio Ambiente (IMA), Centro de Prevenção e Recuperação de Animais Domésticos (Cepread), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC).

Foto: Eraldo Schnaider

Outro momento importante foi a assinatura da Carta de Blumenau pela Conservação da Fauna Silvestre do Médio Vale do Itajaí. O documento estabelece diretrizes para ampliar a cooperação entre instituições responsáveis pela proteção dos animais silvestres.

Entre os compromissos assumidos estão a criação de um grupo técnico regional, o compartilhamento periódico de dados, a padronização de informações sobre ocorrências e o desenvolvimento de medidas para reduzir impactos sobre a fauna. As ações incluem a implantação de passagens de fauna, melhorias na sinalização e adequações em redes elétricas.

A carta também prevê a ampliação da rede regional de atendimento aos animais silvestres e a elaboração de relatórios anuais para apoiar políticas públicas de conservação.

Para o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Robson Tomasoni, o encontro fortalece a construção de uma atuação conjunta em defesa da biodiversidade. “A proteção da fauna silvestre exige planejamento, cooperação e o envolvimento de diferentes instituições. Os resultados apresentados demonstram a importância do trabalho desenvolvido em Blumenau e reforçam que, por meio da união de esforços e do compartilhamento de conhecimento, conseguimos construir políticas públicas mais eficientes para preservar nossas espécies”, destaca.

Os números apresentados no fórum mostram que os desafios são muitos. Mas também revelam uma rede que começa a se organizar para que a fauna silvestre encontre mais espaço e proteção em uma região cada vez mais urbanizada.


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