Azeite catarinense conquista três de medalhas de ouro em concurso na Itália

Realizado desde 2016, o EVOO IOOC reúne produtores de 33 países. O casal que idealizou o cultivo começou essa história há 15 anos.

Foto: divulgação

Santa Catarina acaba de ganhar mais um argumento para mostrar que sua agroindústria vai além das cadeias tradicionais. Uma fabricante de azeite de oliva extravirgem de Rancho Queimado conquistou três medalhas de ouro em uma das competições mais respeitadas do mundo, resultado que reforça o avanço de uma atividade relativamente recente no estado. O município fica localizado a 69,9 km de Florianópolis, pela BR-282.

A Quinta do Vienzo foi premiada no EVOO IOOC (Extra Virgin Olive Oil International Olive Oil Contest), realizado na Itália. O casal Patrícia e Jester Macedo, responsável pela elaboração dos azeites, foi no dia 26 de junho (2026) até o país europeu para receber a premiação presencialmente.

Os produtos reconhecidos foram os monovarietais Vienzo Arbequina e Vienzo Koroneiki, além do Blend Especial Intenso, elaborado a partir de diferentes variedades de azeitonas.

Realizado desde 2016, o concurso reuniu produtores de 33 países. Os azeites são avaliados por especialistas de diferentes nacionalidades nos quesitos aroma, sabor, amargor e picância, características que definem a qualidade do produto.

A conquista também joga luz sobre uma produção que ainda surpreende parte dos consumidores. Embora a olivicultura tenha avançado em Santa Catarina nos últimos anos, muita gente ainda associa o estado a outras culturas agrícolas e nem imagina que há fabricantes de azeite extravirgem produzindo e conquistando espaço nas principais competições internacionais.

Foto: divulgação

A oliveira se adapta melhor a regiões de clima temperado, com invernos frios, verões secos e solos bem drenados, pedregosos ou de textura média. No mundo, a produção é liderada por países do Mediterrâneo, como Espanha, Itália, Grécia, Turquia e Portugal. Na América do Sul, o principal produtor é a Argentina, seguida pelo Chile, enquanto o Brasil ainda ocupa uma posição modesta, mas com produção em expansão.

Esta é a quarta vez que a marca é premiada em competições internacionais. Em 2025, a Quinta do Vienzo recebeu duas medalhas de ouro com os monovarietais Arbequina e Koroneiki. Em 2023, conquistou ouro com o Blend Especial Intenso e o Koroneiki. Já em 2022 e 2020, ficou com medalhas de prata no Brazil IOOC – International Olive Oil Competition, realizado no Brasil e em Portugal.

Patrícia e Jester Macedo são os responsáveis pela produção dos azeites na propriedade em Rancho Queimado (SC) | Foto: Divulgação

A história começou há 15 anos. Em 2011, o engenheiro agrônomo e mestre de lagar Jester Macedo e a sommelier de azeites Patrícia Macedo encomendaram as primeiras 700 mudas de oliveira para iniciar o projeto. A primeira safra comercial veio em 2019, com a colheita de 1,3 mil quilos de azeitonas e a produção de 120 litros de azeite extravirgem no primeiro lagar a produzir e processar azeite em solo catarinense, instalado no meio do pomar da propriedade.

Hoje, além da produção, o casal promove visitas guiadas quinzenais para apresentar o cultivo das oliveiras, o processamento e a degustação dos azeites. A proposta é disseminar a cultura do azeite e aproximar o público de uma atividade que ainda engatinha no estado.

“Participar de um concurso e ter esse resultado é uma assinatura de qualidade e que estamos no caminho certo”, afirma Patrícia. O reconhecimento também alimenta planos maiores. “Nossa intenção é colocar Santa Catarina como um pólo de referência em azeites de qualidade”, diz a produtora.


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