A Câmara de Blumenau sediou, na tarde de quarta-feira (13/08/25), uma audiência pública para discutir a mobilidade da pessoa com deficiência. O encontro, focado em transporte coletivo e calçadas, reuniu autoridades, representantes de entidades e moradores, que detalharam obstáculos e apresentaram propostas para tornar a cidade mais acessível.
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Transporte coletivo: estrutura nem sempre suficiente
Apesar de a Secretaria de Trânsito e Transporte afirmar que 100% da frota de ônibus possui acessibilidade, usuários relataram problemas que comprometem a segurança. Entre eles, cintos que não fixam corretamente cadeiras de rodas, falta de espaço para mais de um cadeirante por veículo e elevadores que permanecem dias sem conserto.
Houve pedidos para ampliar o Blufácil — hoje restrito, na prática, a atendimentos de saúde — e para capacitar motoristas e cobradores, especialmente no atendimento a pessoas com deficiência auditiva e visual. Também foi sugerido que gestores e vereadores testem o transporte na condição de usuários com limitações, para compreender melhor os desafios.
Calçadas e rotas de pedestres: obstáculos diários
As calçadas irregulares e com obstáculos foram apontadas como barreiras não só para pessoas com deficiência, mas também para idosos, gestantes e pais com carrinhos de bebê. Relatos indicaram quedas, dificuldade de uso do piso tátil e falta de padronização, com trechos que mudam abruptamente de largura ou material.
Representantes cobraram fiscalização mais rigorosa e prazos curtos para reparos, além de aplicação de multas a quem desrespeita as normas. Também foi mencionada a necessidade de garantir rotas seguras durante obras, evitando bloqueios completos que obrigam o pedestre a andar na rua.
Sinalização e comunicação: informação que falta ou não funciona
Outro ponto recorrente foi a falha na sinalização para deficientes visuais. Usuários citaram botoeiras sonoras inoperantes em determinados horários, falta de contraste visual em placas e ausência de avisos claros sobre mudanças temporárias de trajeto. Houve sugestão de revisar a sinalização urbana para torná-la mais simples e objetiva, priorizando acessibilidade em áreas de grande circulação, como terminais, hospitais e órgãos públicos.
Experiências específicas e propostas diretas
Pacientes renais relataram que, ao sair debilitados de sessões de hemodiálise, enfrentam deslocamentos longos e inseguros sem transporte adaptado. Pessoas com deficiência visual sugeriram campanhas para ensinar a população a não obstruir pisos táteis. Idosos pediram atenção especial para regiões centrais, onde o tráfego intenso e a ausência de manutenção tornam a locomoção arriscada. Houve ainda críticas à retirada de linhas que antes passavam em frente a instituições de apoio, obrigando deslocamentos maiores e mais perigosos.
Posicionamentos e críticas políticas
A audiência foi proposta pelo vereador Jean Volpato (PT), que afirmou que a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência completará dez anos e ainda não é cumprida integralmente no município. Ele disse que continuará cobrando e acionando a Justiça, se necessário, para garantir dignidade às pessoas com deficiência.
Flávio Linhares (PL) defendeu que acessibilidade é um direito e precisa de acompanhamento constante em calçadas, transporte e equipamentos públicos, com participação da comunidade e dos conselhos. Cristiane Loureiro (Podemos) destacou que o tema também envolve idosos, gestantes e mães com carrinhos de bebê, defendendo rotas alternativas seguras durante obras e melhorias na sinalização.
Gilson de Souza (União Brasil) enfatizou que todos devem se colocar no lugar das pessoas com deficiência e cobrar soluções diárias, enquanto Adriano Pereira (PT) lamentou a ausência do prefeito em audiências públicas, criticou a falta de execução de obras e a situação de diversos bairros. Segundo ele, “no TikTok não se resolve o problema da acessibilidade, é com trabalho, atitude e respeito à legislação”.
Participações e contribuições
Entre os participantes estiveram:
Autoridades: Anna Paula Feminella (secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência), Bruna Cristina de Araújo Daniel (secretária municipal de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Paradesporto), William Filipe Rodrigues (diretor de Transportes da SMTT), Luis Bueno (diretor de Mobilidade Urbana da Seplan) e Andréia Rauch (diretora de Regulação e Controle Urbano).
Entidades e representantes: Paulo Roberto Dionísio Corrêa (Abludef), Roseli Aparecida Santos (Acevali e conselhos municipais), Mônica Hertel (mãe de criança cadeirante), Suzete Novaes (Asaprev), Luciana da Silva Ribeiro (atleta e suplente da Abludef), Isolete Bastos (Renal Vida), Eliana Rocha Vanzuita (Acevali), Otacílio Kuczynski (usuário), Lauro Bacca (Acaprena), Patrícia Manetti (Centro Braile), Natália Carvalho (Abada), Renata Aparecida Nazário (usuária), Gilberto Corrêa (usuário), Marcelino Valencio Junior (DCE da Furb) e Maria Helena (Abludef).
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