Ataque conjunto de EUA e Israel atinge o Irã e abre cenário imprevisível na região

Bombardeios ocorreram enquanto negociações nucleares avançavam e provocaram resposta imediata de Teerã.

Foto: Redes Sociais

O equilíbrio de forças no Oriente Médio sofreu um abalo neste sábado (28/02/26). Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irã, denominada “Operação Fúria Épica”, alterando o rumo das negociações nucleares e ampliando as dúvidas sobre o futuro do regime instaurado em 1979.

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A dimensão política do ataque é acompanhada por incertezas sobre o comando do país. O paradeiro do líder supremo Ali Khamenei não foi confirmado. À agência Reuters, uma autoridade iraniana afirmou que ele não estava em Teerã e foi levado para um local seguro. Fontes americanas, israelenses e iranianas ouvidas sob anonimato relataram que integrantes do alto escalão teriam sido mortos e que tanto Khamenei quanto o presidente Masoud Pezeshkian estavam entre os alvos.

Caso a morte de Khamenei seja confirmada, ele se tornará o primeiro chefe de Estado em exercício morto diretamente por Washington. Aos 86 anos, ele ocupa o posto desde 1989, quando assumiu após a morte de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.

Explosões na capital e espaço aéreo fechado

Enquanto as declarações oficiais se acumulavam, a capital iraniana registrava impactos diretos. Explosões foram ouvidas nas zonas leste e oeste de Teerã, segundo a mídia local. A agência Tasnim divulgou imagens de fumaça espessa sobre a cidade e informou que o aeroporto de Mehrabad foi atingido. O espaço aéreo do país foi fechado. Não há número confirmado de vítimas. As Forças Armadas de Israel afirmaram ter atingido dezenas de alvos.

Imagens publicadas nas redes sociais mostram uma grande nuvem cinza sobre um cruzamento cercado por prédios residenciais e comerciais. Táxis amarelos e motocicletas circulavam sob céu parcialmente nublado no momento dos registros.

Resposta iraniana e mortes na região

A reação de Teerã ocorreu poucas horas depois. Mísseis foram lançados contra Israel e, segundo Tel Aviv, interceptados. O Irã também atingiu bases americanas no Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Qatar. Em Abu Dhabi, ao menos uma pessoa morreu, de acordo com a imprensa local.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que instalações militares e civis foram atingidas em várias cidades e ressaltou que a ofensiva aconteceu “no meio de um processo diplomático”.

Pronunciamentos de Washington e Tel Aviv

Em vídeo de oito minutos publicado na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a operação e afirmou que o objetivo era eliminar ameaças atribuídas ao regime iraniano e proteger o povo americano.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, classificou a ação como preventiva. Já o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou que o ataque poderia criar condições para que a população iraniana assumisse seu destino. Em comunicado, afirmou que a operação busca eliminar o que chamou de ameaça existencial representada pelo regime.

Negociações que não avançaram

O bombardeio ocorreu dois dias após uma rodada de negociações realizada na quinta-feira (26), na residência do embaixador de Omã em Genebra. Mediadores e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, haviam anunciado progresso e marcado novo encontro para a próxima semana, em Viena.

Na terça-feira (24), Trump reiterou que preferia uma saída diplomática, mas declarou estar pronto para impedir que o Irã obtivesse arma nuclear.

No histórico recente, em junho do ano passado, durante a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, os Estados Unidos atacaram três centrais nucleares iranianas. Trump afirmou à época ter encerrado o programa nuclear do país — algo questionado diante da nova ofensiva.

Dados da Agência Internacional de Energia Atômica indicam que o Irã mantinha 440 quilos de urânio enriquecido a 60%. O percentual está abaixo dos 80% a 90% necessários para uma bomba nuclear completa, mas poderia permitir a produção de até 15 artefatos de capacidade limitada.

Pressões, ameaças e impasses

Em janeiro, Trump ameaçou atacar sob o argumento de evitar mortes durante os maiores protestos contra a teocracia desde 1979, iniciados por crise econômica e ampliados por insatisfação popular. Ele afirmou que “a ajuda estava a caminho”, mas recuou diante da ausência de mobilização ampla. Israel pediu mais tempo para preparação.

Aliados árabes do Golfo pressionaram por cautela, preocupados com possíveis impactos no estreito de Hormuz. O Irã havia prometido retaliar, afetando até 20% do tráfego mundial de petróleo e gás liquefeito em caso de ataque.

As negociações reabertas acabaram sem acordo. Washington exigia o fim completo do programa nuclear e limitações às capacidades balísticas iranianas. Teerã aceitava reduzir o enriquecimento de urânio e renunciar à bomba em troca do fim das sanções, em termos semelhantes ao acordo de 2015 abandonado pelos EUA em 2018.

O que está em jogo agora

Se houver ausência do líder supremo, a Constituição iraniana prevê a formação de uma junta composta pelo presidente, pelo chefe do Judiciário e por um integrante do Conselho dos Guardiões — órgão formado por seis clérigos e seis juristas. O grupo governa até que os 88 membros da Assembleia de Peritos escolham o sucessor.

Após a morte do ex-presidente Ebrahim Raisi em um acidente aéreo em 2024, o nome mais citado para eventual sucessão era Mojtaba Khamenei, filho do líder, de 56 anos.

Outros líderes hostis a Washington morreram após ações ocidentais, mas não diretamente enquanto estavam no poder. Saddam Hussein foi capturado em 2003 e executado três anos depois. Muammar Gaddafi morreu em 2011 após intervenção autorizada pela ONU com participação dos EUA.

Sob Trump, o padrão mudou. Em 3 de janeiro, o presidente americano capturou Nicolás Maduro e sua mulher em uma ação na Venezuela, aliada do Irã, da Rússia e da China.

Caso a estrutura de comando iraniana tenha sido desarticulada, um dos focos pode ser a Guarda Revolucionária, principal força militar do país. Há possibilidade de a corporação assumir o controle se mantiver organização interna, transformando o regime religioso em uma ditadura militar. Outra hipótese é o início de uma guerra civil, já que não há indicação de que os EUA estejam preparados para uma intervenção terrestre de grande escala.

Entre opositores no exterior, a alternativa defendida vinha sendo Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979. Neste sábado, ele afirmou que a ajuda esperada dos Estados Unidos chegou e declarou que a intervenção teria como alvo o regime e seus aparatos de repressão, não o país.

Com ataques em curso, negociações suspensas e liderança sob questionamento, o desfecho permanece indefinido. O que for decidido nos próximos dias pode influenciar não apenas o futuro do Irã, mas também o fluxo global de energia e a estabilidade política internacional.


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