Árvores históricas ganham identificação no Horto Edith Gaertner em Blumenau

Mapeamento inicial destaca espécies plantadas no século 19 e reforça a importância ambiental, científica e cultural do espaço.

Foto: Michele Lamin / Prefeitura de Blumenau

A Prefeitura de Blumenau concluiu a primeira fase de identificação das árvores do Horto Botânico Edith Gaertner, localizado ao lado do Cemitério dos Gatos, às margens do Ribeirão Garcia. A ação é conduzida pelas secretarias de Cultura e Relações Institucionais (SMC) e de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e integra o processo de revitalização da área.

Nesta etapa, 49 árvores foram mapeadas e 43 já receberam placas de identificação para orientar visitantes. A maioria é de palmeiras, espécies que têm relevância histórica e acadêmica e eram especialidade do fundador da cidade, Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau.

O horto surgiu no século 19, quando o próprio fundador utilizava o terreno para experimentos botânicos. Entre as espécies plantadas por ele está o Ginkgo Biloba, conhecido também como nogueira-do-japão ou árvore-avenca e frequentemente chamado de “presente da China” ao mundo.

Outro registro histórico é um Cipreste Alemão plantado em 24 de dezembro de 1864, durante uma ceia de Natal com a presença de Victor Gaertner e do Pastor Rudolf Oswaldo Hesse. O levantamento também inclui bambus da Índia e palmeiras imperiais, algumas trazidas pelo próprio Blumenau, que planejava formar bambuzais às margens do Rio Itajaí-Açu.

O secretário municipal de Cultura, Sylvio Zimmermann, lembra que o bosque foi frequentado por nomes como o próprio Doutor Blumenau, Fritz Müller e Emil Odebrecht, que circularam e plantaram espécies no local a partir da metade do século 19. Segundo ele, a identificação das árvores amplia o entendimento sobre a observação científica feita pelos imigrantes na região.

Origem familiar e preservação

A área pertenceu à família Gaertner e recebeu o nome de Edith Gaertner (1882–1967), atriz e sobrinha-neta do fundador. Nos últimos anos de vida, ela dedicou-se à fotografia, ao jardim e aos gatos de estimação. Após sua morte, deixou a casa e o terreno ao município para preservação.

O poder público manteve as lápides dos animais no chamado Cemitério de Gatos. No fim da década de 1960, o espaço abrigou um minizoológico com aves e pequenos animais, desativado em 1983 após cheias.

O horto também reúne elementos artísticos, como a estátua em bronze do “Manneken Pis”, réplica do símbolo de Bruxelas, obra do escultor Miguel Barba, além de um busto de Edith Gaertner. Em 2015, foram instaladas esculturas de oito gatos estilizados e outras representações felinas em homenagem à antiga proprietária.

A diretora do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva, professora Sueli Petry, destaca que os terrenos integravam a área urbana planejada da antiga Colônia Blumenau e pertenciam ao fundador. Nas proximidades ficavam as residências de Hermann Blumenau, do vice-diretor Hermann Wendeburg e do cônsul Victor Gaertner. Segundo ela, o conjunto é o último modelo colonial do século 19 que preserva suas características originais.

Com a identificação das espécies, o horto reforça sua função como espaço de memória, pesquisa e visitação pública.

As preciosidades nas trilhas do Horto Botânico Edith Gaertner

– Espécies arbóreas mapeadas: 49
– Árvores identificadas: 43
– Árvores em fase de identificação: seis

1 – Cupania vernalis/Camboatá-vermelho
2 – Eugenia brasiliensis/Grumixameira
3 – Nectandra membranácea/Canela
4 – Plinia cauliflora/Jabuticabeira
5 – Plinia cauliflora/Jabuticabeira
6 – Camellia japônica/Camélia
7 – Eugenia uniflora/Pitangueira
8 – Coffea arábica/Cafeeiro
9 – Ceiba speciosa/Paineira
10 – Eugenia brasiliensis/Grumixameira
11 – Euterpe edulis/Palmiteiro-juçara
12 – Libidibia férrea/Pau-ferro
13 – Rhapis excelsa/Palmeira-ráfia
14 – Eugenia brasiliensis/Grumixameira
15 – Bambusa vulgaris/Bambu
16 – Citharexylum myrianthum/Tucaneira
17 – Myrsine coriacea/Capororoca
18 – Cupressus funebris/Cipreste
19 – Pseudobombax majus/Embiruçu
20 – Tabernaemontana catharinensis/Jasmim-pipoca
21 – Ceiba speciosa/Paineira
22 – Ginkgo biloba/Ginkgo
23 – Albizia lebbeck/Faveiro
24 – Cupressus funebris/Cipreste
25 – Cabralea canjerana/Canjerana
26 – Plerandra elegantíssima/Arália
27 – Cycas circinalis/Palma-de-ramos
28 – Plinia cauliflora/Jabuticabeira
29 – Livistona chinensis/Leque-chinês
30 – Cupania vernalis/Camboatá-vermelho
31 – Dypsis lutescens/Palmeira-família
32 – Araucaria angustifólia/Araucária
33 – Agathis robusta/Pinheiro da Nova Zelândia
34 – Euterpe edulis/Palmito-juçara
35 – Syagrus romanzoffiana/Coqueiro-jerivá
36 – Ficus gomelleira/Figueira-brava
37 – Ceiba speciosa/Paineira
38 – Campomanesia reitziana/Guabiroba-crespa
39 – Bambusa vulgaris/Bambu
40 – Roystonea oleracea/Palmeira imperial
41 – Citharexylum myrianthum/Tucaneira
42 – Tibouchina granulosa/Quaresmeira
43 – Tibouchina mutabilis/Manacá-da-serra