Anatel aperta o cerco contra ligações fraudulentas ampliando a proteção ao usuário

Novas regras miram chamadas com números falsos, ampliam bloqueios e buscam reduzir golpes que afetam o dia a dia de quem atende o telefone no Brasil.

Quem nunca atendeu uma ligação acreditando ser do banco, de uma empresa conhecida ou até de um número local, e logo percebeu que se tratava de golpe? Essa prática tem nome: spoofing. É quando criminosos manipulam o sistema telefônico para fazer parecer que a chamada vem de um número confiável, aumentando as chances de enganar a vítima.

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Para enfrentar esse problema, a Agência Nacional de Telecomunicações publicou um novo conjunto de regras que endurece o combate a esse tipo de fraude. As medidas entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e valem até 30 de junho de 2027, substituindo normas anteriores adotadas ao longo de 2024.

O que é o spoofing?

Na prática, o spoofing acontece quando alguém liga para você usando um sistema que mascara o número real da chamada. Na tela do celular, aparece um telefone conhecido ou aparentemente legítimo, mas, na verdade, a ligação foi feita por outro local — muitas vezes a partir de estruturas usadas exclusivamente para golpes.

O que já vinha sendo feito

Desde 2024, a Anatel vinha aplicando medidas para frear esse tipo de fraude. Uma das principais foi a criação de um canal centralizado de comunicação entre bancos e operadoras, permitindo que instituições financeiras informassem números com indícios de uso em golpes.

Esse sistema, chamado Notificação Falsa Central, passou a concentrar essas informações em um único ambiente. Com isso, a Anatel conseguiu mapear rotas suspeitas de chamadas e determinar bloqueios mais rápidos. Durante esse período, 63 rotas de interconexão foram bloqueadas por encaminharem mais de 10% de ligações com indícios de spoofing, além da exigência de monitoramento contínuo do tráfego telefônico pelas operadoras.

Por que as regras ficaram mais rígidas

Mesmo com esses avanços, a Anatel identificou que os golpes continuaram acontecendo, inclusive com o uso de números válidos e oficialmente atribuídos a usuários ou empresas. A avaliação técnica apontou que, para tornar o combate mais eficaz, seria necessário integrar melhor os dados, ampliar a rastreabilidade das chamadas e reforçar a responsabilização de quem participa ou permite esse tipo de prática.

Por isso, a Agência decidiu manter as ações já existentes e aprimorá-las, publicando um novo despacho com regras mais detalhadas e punições mais claras.

O que muda com as novas medidas

As principais mudanças recaem sobre as operadoras, mas têm impacto direto na vida de quem usa telefone fixo ou celular:

  • Chamadas irregulares devem ser bloqueadas na origem ou no trânsito, impedindo que cheguem ao consumidor.
  • As operadoras passam a ser obrigadas a fornecer registros detalhados das chamadas, incluindo caminhos percorridos e rotas de interconexão, sempre que a Anatel solicitar.
  • Interconexões usadas para golpes poderão ser bloqueadas de forma cautelar, inicialmente por até um mês, prazo que pode chegar a três meses em caso de reincidência. Após repetidas infrações, o bloqueio poderá ser integral.
  • Fica proibido o aluguel, repasse ou cessão irregular de números telefônicos, prática comum em esquemas de fraude. Call centers que atuam para terceiros deverão contratar números diretamente com as operadoras.
  • Contratos de telefonia terão cláusulas mais rígidas, prevendo suspensão ou bloqueio do serviço para quem descumprir as regras, além de possíveis responsabilizações civis e criminais.
  • No celular, o número deverá estar corretamente vinculado ao chip e ao aparelho, dificultando o uso fraudulento de códigos de acesso.
  • As normas anteriores deixam de valer, concentrando todas as regras no novo despacho.

O que isso significa para quem atende o telefone

Para o usuário comum, o objetivo é direto: reduzir ligações enganosas, golpes bancários e chamadas com números falsos. Ao exigir mais controle das operadoras e ampliar a capacidade de rastrear chamadas, a Anatel busca tornar o ambiente telefônico mais seguro e dificultar a atuação de golpistas.

Embora o problema não desapareça de forma imediata, a expectativa é de que as novas regras tornem as fraudes mais fáceis de identificar, bloquear e punir — trazendo mais tranquilidade para quem depende do telefone no dia a dia, seja para trabalho, serviços ou contato com a família. Tomara que funcione!


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