Uma amizade que começou ainda nas escolas de música, passou por encontros regados a café e acabou chegando aos palcos. Essa é a história que acompanha o Canto Daqui, quarteto feminino que se prepara para percorrer dez cidades catarinenses com o espetáculo “La Dolce Melodia”.
O projeto foi apresentado na noite desta segunda-feira (10/08/26), durante um encontro no espaço Casa Nostra, localizado nas dependências do Lira Circolo Italiano de Blumenau. O portal OBlumenauense esteve entre os convidados e acompanhou uma amostra do repertório que será levado aos teatros.
Formado por Ally Knihs (@alyknihs), Cintia Torresani Pagel (@cintia_torresani_cantora), Louise Clemente (@louiseclemente) e Nadjara Barth Pereira (@nadjara_laly), o Canto Daqui nasceu da amizade de longa data entre as quatro cantoras. Elas estudaram música juntas, seguiram caminhos profissionais diferentes e, depois de um período mais afastadas, encontraram uma maneira de reunir novamente as vozes — e a convivência.
Antes de ser um projeto artístico, o reencontro acontecia nas manhãs de sexta-feira, único horário disponível para todas. No começo, havia mais café do que ensaio. Aos poucos, porém, aquelas conversas começaram a ganhar forma, repertório e arranjos.

As atividades do grupo começaram em 2014, com a proposta de valorizar o trabalho vocal e divulgar músicas de compositores de Brusque. O nome Canto Daqui surgiu justamente dessa ligação entre as cantoras, a cidade e a produção musical da região.
Em 2015, o quarteto gravou um CD com composições brusquenses, sob a direção musical do maestro Eusébio Kohler e com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura de Brusque. O trabalho também circulou por apresentações culturais, programações natalinas, espetáculos de dança e eventos promovidos na cidade.
A trajetória continuou com novos projetos. Em 2021, o grupo foi contemplado por um edital da Lei Aldir Blanc e, no ano seguinte, voltou a apresentar ao público o repertório formado por artistas locais. Em 2024, levou o show dedicado aos compositores brusquenses a Brusque, Blumenau, Itajaí e Guabiruba.
Apesar dos caminhos individuais, a harmonia vocal sempre permaneceu no centro do trabalho. As integrantes têm formação musical e experiências como cantoras, instrumentistas, compositoras, arranjadoras, professoras e regentes de corais.

O encontro com a música italiana
A mudança de rumo aconteceu em 2023, quando o grupo recebeu um convite para preparar uma apresentação na 28ª Festitália, em Blumenau. Era uma novidade. Até então, o repertório italiano não fazia parte do trabalho principal do quarteto.
O convite virou desafio. As cantoras passaram a estudar as músicas, os arranjos e o próprio idioma, ampliando também o contato com a cultura dos imigrantes. A experiência deu certo e abriu espaço para apresentações em outras edições da Festitália e em festas típicas italianas da região.
Foi desse caminho que nasceu “La Dolce Melodia”. Pensado para os teatros, o espetáculo propõe uma pausa em meio à correria diária. É para sentar, ouvir e viajar um pouco — seja pelas memórias familiares, seja por uma Itália que o espectador talvez conheça apenas pelas canções.
A apresentação não ficará restrita às músicas folclóricas ou às óperas. O repertório passeia por baladas românticas, pop e rock, além de sucessos internacionais interpretados em italiano e canções ligadas ao Festival de Sanremo. As quatro vozes continuam como fio condutor, agora acompanhadas por uma banda completa.
Clássicos como “O Sole Mio” e “Merica Merica” estão entre as músicas escolhidas. Esta última é lembrada como uma espécie de hino dos imigrantes italianos e carrega uma ligação especial com as famílias de descendentes que mantiveram a canção viva ao longo das gerações.
Durante a entrevista ao OBlumenauense, uma das integrantes contou que “Merica Merica” a leva de volta aos domingos na casa da avó, quando um tio tocava violão para a família reunida. É justamente esse encontro entre música e memória que o quarteto pretende provocar.
O espetáculo também reserva espaço para releituras mais modernas. Os arranjos vocais e instrumentais foram preparados para dar uma nova sonoridade a canções conhecidas, sem apagar a identidade original. A intenção é conversar tanto com quem cresceu ouvindo música italiana quanto com o público mais jovem.

Quatro estilos e uma amizade antiga
Cada integrante chega ao palco com referências diferentes. Há influências da MPB, da bossa nova, do rock clássico, da música popular italiana e dos repertórios de bandas de baile. Essas diferenças aparecem na escolha das canções e ajudam a dar movimento ao espetáculo.
A amizade também interfere no resultado. Depois de tantos anos, elas conhecem as preferências e os limites umas das outras. Durante as apresentações, muitas vezes basta uma troca de olhares para entender o que está acontecendo — inclusive quando surge uma pequena falha ou uma situação inesperada.
“É sobre música e amizade”, resumiu uma das integrantes durante a conversa. Essa proximidade deixa o trabalho menos mecânico. Mais solto. No palco, o público não encontra apenas quatro cantoras dividindo o mesmo repertório, mas amigas que carregam parte da própria história em cada arranjo.
Turnê começa em Blumenau
A circulação de “La Dolce Melodia” começa na próxima segunda-feira, dia 17 de agosto (2026), no Teatro Carlos Gomes, em Blumenau. A escolha da cidade para a abertura está relacionada à recepção que o grupo encontrou na Festitália, onde o projeto italiano começou a ganhar forma. Quem quiser garantir o seu ingresso GRATUITO, precisa clicar aqui.
Depois, o espetáculo passará por Timbó, Joinville, Brusque, Rodeio, Jaraguá do Sul, Balneário Camboriú, Itajaí e Nova Veneza. O encerramento será no dia 1º de novembro, em Criciúma.
As apresentações terão entrada gratuita, mas os ingressos precisam ser reservados antecipadamente pela plataforma Sympla, de acordo com a capacidade de cada teatro. Os links serão disponibilizados gradualmente no perfil do grupo no Instagram, o @cantodaqui.
O projeto foi viabilizado por meio da Lei estadual nº 17.942, de 12 de maio de 2020. A realização é da Banda Society, com incentivo da rede Bistek e produção de Fernando Pagel.
Além da formação-base da banda, o espetáculo contará com músicos de metais, preparação vocal e equipes de iluminação, som, produção visual e comunicação. A estrutura foi montada para transformar o repertório em uma experiência completa de teatro, sem perder a leveza e a proximidade que acompanham o quarteto desde os primeiros encontros.
Confira a entrevista
Confira a agenda de apresentações
AGOSTO
- Blumenau – dia 17, às 20h | Teatro Carlos Gomes
- Timbó – dia 21, às 19h30 | Teatro Municipal de Timbó — Centro Integrado de Cultura Ingo Germer (CIC)
SETEMBRO
- Joinville – dia 3, às 19h30 | Teatro Juarez Machado
- Brusque – dia 6, às 19h | Centro Empresarial, Social e Cultural de Brusque (CESCB)
- Rodeio – dia 10, às 19h30 | Centro Cultural de Rodeio
- Jaraguá do Sul – dia 11, às 19h30 | Teatro SCAR
- Balneário Camboriú – dia 13, às 19h | Teatro Bruno Nitz
OUTUBRO
- Itajaí – dia 30, às 19h30 | Teatro Municipal de Itajaí
- Nova Veneza – dia 31, às 19h30 | Teatro Municipal de Nova Veneza
NOVEMBRO
- Criciúma – dia 1º, às 19h | Teatro Elias Angeloni





