Quando se fala em Itajaí (SC), o pensamento voa direto para os grandes navios do porto ou para a indústria da pesca. Mas basta pegar a estrada em direção ao interior para descobrir que a cidade também brilha em tons de verde e dourado. O arroz irrigado é a principal cultura da zona rural, ocupando 1.700 hectares e provando que a economia local — e a beleza das paisagens — vai muito além da água salgada.

No compasso das máquinas
O trabalho no campo é um ciclo bem definido: começa entre agosto e setembro com a semeadura, podendo se estender até novembro. Agora, no período que vai de fevereiro a maio, o som que domina é o das colheitadeiras. A expectativa é animadora: projeta-se uma produtividade de 8.500 quilos por hectare, o que deve resultar em cerca de 289 mil sacas de 50 kg.
Na região do Arraial dos Cunhas, o agricultor Evandro Bertoldi é o rosto de uma tradição viva. Sua família já está na lida há 50 anos, e ele, há duas décadas, comanda a produção em 190 hectares. Ele monitora o ciclo de 140 dias com precisão, esperando o grão atingir a cor amarelada e a umidade ideal.
“Mesmo após um ano anterior marcado pelo frio intenso, que prejudicou a adubação e o controle de ervas daninhas, a produção está surpreendendo. Até agora colhi 20% da lavoura, mas a produtividade está mantendo a média de 8.000 a 8.500 kg por hectare”, pontua Evandro.

Ciência: A “mãozinha” que vem do laboratório
Se o arroz de Itajaí é forte, a ciência tem papel fundamental. Na Estação Experimental da Epagri, o trabalho de melhoramento genético parece cirurgia. A pesquisadora Cândida Manfio explica que, como o arroz se autopoliniza, os cientistas precisam intervir para criar variedades melhores.
O processo é minucioso: escolhe-se uma planta “mãe”, faz-se uma “toalete” para retirar grãos imaturos ou já fecundados e, então, corta-se cerca de um terço do grão. Com pinças e precisão, é feita a emasculação (retirada da parte masculina), permitindo que a planta receba apenas o pólen de outra linhagem selecionada. Isso garante sementes mais produtivas e resistentes.

Gestão e Expansão
Para a Secretaria de Agricultura e Expansão Urbana, o desafio é estratégico. A secretária Flávia Sehn destaca que, com o clima favorável deste ano, a missão é garantir que o produtor continue ocupando essas terras, que sofrem constante pressão e atração de outros setores econômicos.
Para fortalecer o setor, a Secretaria está realizando um recadastramento dos agricultores. O objetivo é mapear as áreas de produção e entender as necessidades reais para expandir a cultura agrícola na cidade.
Fonte: Prefeitura de Itajaí
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