A formalização do Acordo Interino de Comércio entre Mercosul e União Europeia, assinada neste sábado (17/01/26), é vista pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) como um movimento relevante para ampliar a presença do Brasil em um dos maiores mercados consumidores do mundo. O entendimento, negociado ao longo de mais de 26 anos, conecta dois blocos que, juntos, reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e abre novas perspectivas para a indústria catarinense.
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A avaliação ganha peso em um momento em que a União Europeia se consolidou como o principal destino das exportações de Santa Catarina. Dados levantados pela FIESC mostram que, em 2025, o bloco europeu superou a China no ranking de compradores dos produtos do estado. Em 2024, as vendas catarinenses para a UE alcançaram US$ 1,35 bilhão, crescimento de 10,66% em relação a 2023, respondendo por 11,1% de tudo o que Santa Catarina exportou no período.
Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a assinatura ocorre em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e mudanças nas cadeias globais de produção. Segundo ele, acordos comerciais ajudam a reduzir riscos e a ampliar alternativas. A diversificação de mercados, afirma, é uma forma de amenizar impactos provocados por alterações abruptas nas relações comerciais internacionais, como ocorreu recentemente com a elevação de tarifas por parte dos Estados Unidos.
Seleme destaca que a relação entre Santa Catarina e a União Europeia já é sólida e tende a se intensificar com o novo acordo. O estado, na avaliação da entidade, ocupa posição estratégica dentro do Mercosul por sua localização geográfica e pela infraestrutura portuária, além de atuar como polo logístico, produtivo, turístico e de serviços. Esse conjunto de fatores, segundo a FIESC, favorece parcerias de longo prazo, alianças estratégicas e intercâmbio tecnológico com países europeus.
Um acordo além do comércio
Embora o foco imediato esteja na área comercial, o entendimento entre Mercosul e União Europeia tem alcance mais amplo. O Acordo de Parceria entre os blocos é considerado o mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul, incluindo cooperação em temas como defesa, tecnologia, direitos humanos, relações de trabalho, sustentabilidade e mudanças climáticas.
Justamente por essa abrangência, o processo de aprovação é mais complexo e demorado. Como alternativa, a União Europeia optou por separar o conteúdo e acelerar a validação da parte comercial, dando origem ao chamado acordo interino. Esse recorte trata de produtos e serviços, estabelece cronogramas para redução ou eliminação gradual de tarifas, define cotas, regras de origem, normas regulatórias e diretrizes para investimentos.
A FIESC também ressalta os laços históricos entre Santa Catarina e países europeus, formados desde os fluxos de imigração. Além disso, a entidade aponta afinidades em valores democráticos, no respeito às normas do multilateralismo e aos direitos humanos, o que contribui para uma relação comercial consistente e de longo prazo.
Próximos passos e impactos
Após a assinatura, o texto do acordo interino seguirá para ratificação por maioria simples no Parlamento Europeu. Nos países do Mercosul, o documento será encaminhado aos respectivos Congressos Nacionais para aprovação e, posteriormente, publicação oficial pelo Poder Executivo. Quando o Acordo de Parceria completo for aprovado, o instrumento interino será incorporado a ele.
Estudos indicam que os efeitos econômicos podem ser expressivos. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia resultou na criação de 21,8 mil empregos, movimentou R$ 441,7 milhões em massa salarial e gerou R$ 3,2 bilhões em produção no país.
Para a indústria catarinense, o avanço do acordo representa a ampliação de oportunidades em um mercado já relevante, com potencial de fortalecer cadeias produtivas, gerar empregos e consolidar Santa Catarina como um dos principais elos brasileiros na relação comercial com a Europa.
Países integrantes dos dois blocos:
MERCOSUL: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
UNIÃO EUROPEIA: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, República Tcheca (Chéquia), Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Portugal, Roménia e Suécia. (27 países)
Fonte: FIESC
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