Acordo entre Brasil e EUA visa rastrear armas e drogas em tempo real nas aduanas

Parceria entre Receita Federal e CBP prevê compartilhamento digital de informações após apreensões; PF registra 1,5 mil toneladas de drogas vindas dos Estados Unidos em apenas três meses.

Foto: Rafa Neddermeyer [Agência Brasil]

Escondidas entre peças de máquinas ou camufladas em cargas lícitas, armas desmontadas e drogas sintéticas têm sido cada vez mais interceptadas pelas aduanas brasileiras. Só nos últimos 12 meses, mais de 1,1 mil armas e peças de armamentos foram apreendidos. E, neste primeiro trimestre de 2026, a Polícia Federal (PF) já contabiliza 1,5 mil toneladas de drogas — principalmente sintéticas e haxixe — com origem ou rota pelos Estados Unidos.

Os números foram apresentados pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que participou da reunião com autoridades americanas. “E, no primeiro trimestre de 2026, apreendemos mais de 1,5 mil toneladas de drogas vindas dos EUA”, acrescentou ele.

O anúncio da parceria foi feito nesta sexta-feira (10/04/26), após encontro de representantes dos dois países no Ministério da Fazenda. A cooperação entre a Receita Federal brasileira e o U.S. Customs and Border Protection (CBP, a agência de fronteiras dos EUA) prevê o compartilhamento digital e constante de informações sobre apreensões em aduanas — o que permitirá investigar com mais rapidez padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.

“Trata-se de um passo relevante que estamos dando após a conversa entre Lula e Trump, visando o combate ao crime organizado nos dois países”, afirmou o ministro Dario Durigan. Segundo ele, ao facilitar esse “compartilhamento qualificado de informações”, Brasil e EUA poderão agir de forma articulada não apenas no destino, mas também na origem das cargas ilegais.

Drogas, armas ou peças de armas apreendidas em contêineres de navios ou em aeroportos permitirão que investigadores identifiquem e troquem dados sobre os métodos cada vez mais sofisticados de ocultação. “Como é mais fácil identificarmos as armas por meio de raio-x, essas organizações criminosas transnacionais têm adotado a estratégia de enviar peças. Por isso as apreensões de peças têm aumentado”, disse o secretário.

A principal ferramenta prática do acordo é o lançamento do Programa Desarma, sistema informatizado da Receita Federal que amplia a capacidade de rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis. Sempre que a aduana brasileira identifica produtos de origem americana relacionados a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis — e vice-versa —, a ferramenta registra e organiza “dados estratégicos das apreensões”.

As informações registradas incluem material, origem declarada, dados logísticos da carga e eventuais identificadores ou números de série. É esse rastro que permitirá, enfim, mapear redes ilícitas de comércio internacional de armas. E também o que transforma um acordo de papel em uma chave de busca capaz de desarmar o próximo carregamento antes que ele saia do porto.

Com informações da Agência Brasil


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