Ações contra alagamentos e novas soluções de drenagem pautam encontro em Blumenau

Reunião definiu prioridades, apresentou projetos e cobrou avanços práticos para reduzir os impactos das chuvas.

Alagamento na Rua João Gomes da Nóbrega, no bairro Vila Nova, em Blumenau | Foto: Franciele Cardoso

A reunião realizada na manhã desta quinta-feira (16/04/26), na Câmara de Vereadores de Blumenau, teve como objetivo acompanhar projetos de infraestrutura e definir medidas para enfrentar os problemas de drenagem urbana. Entre as decisões e encaminhamentos, ganhou destaque o avanço dos estudos para implantação de parques alagáveis, apontados como alternativa para reduzir os impactos das chuvas em áreas mais vulneráveis.

O encontro foi conduzido pelo presidente da Frente Parlamentar, vereador Bruno Win (NOVO), com a participação do vice-presidente Rodrigo Marchetti (PP). O relator Flávio José Linhares (PL), o Flavinho, não compareceu por compromisso previamente agendado. Com a composição definida, os trabalhos seguiram para a apresentação técnica dos projetos.

Um dos principais temas foi a proposta de criação de parques alagáveis, pensada especialmente para regiões com histórico de alagamentos, como o bairro Vila Nova. O secretário municipal de Planejamento, Daniel Maffezzolli, explicou que a ideia surgiu a partir de questionamentos sobre os problemas recorrentes na região, agravados durante o verão. Após análises e levantamento de dados, a Diretoria de Drenagem identificou essa solução como viável. Com isso, os estudos iniciais contemplam três áreas e devem ser ampliados para outros bairros, como o Vorstadt.

Na sequência, a equipe técnica detalhou o cenário da drenagem no município. O diretor da área, Samuel Aurélio da Silva, apresentou um panorama dos trabalhos em andamento. Já o engenheiro Luis Beduschi explicou os efeitos das mudanças climáticas e destacou a diferença entre alagamentos e enchentes, ressaltando que cada situação exige estratégias específicas. Encerrada a parte técnica, foram apresentadas referências adotadas em outras cidades.

Durante a reunião, também foram citados exemplos de parques alagáveis já implantados em Curitiba, Belo Horizonte, Niterói e Recife, além de iniciativas em desenvolvimento em Balneário Camboriú e Camboriú. As propostas seguem diretrizes alinhadas a práticas nacionais e internacionais, com foco em soluções baseadas na natureza. A partir dessas referências, os projetos locais foram detalhados.

Entre eles, o destaque foi o Parque Frederico Guilherme Busch Junior, previsto para a região da Vila Nova. A proposta inclui a criação de uma floresta urbana alagável, com a função de absorver o excesso de água durante períodos de chuva e reduzir a sobrecarga do sistema de drenagem.

O espaço terá uso diversificado, com estruturas como quiosques, decks, lagoa, áreas de recreação infantil, passarelas, quadras poliesportivas e pista de skate. Para viabilizar a implantação, será necessária a desapropriação de terrenos. Com o projeto apresentado, os vereadores passaram a discutir outros pontos críticos da cidade.

Durante o debate, foram levantadas situações recorrentes em locais como as ruas Nereu Ramos e Araranguá, que enfrentam alagamentos frequentes. Em resposta, foi informado que já existem duas obras privadas em andamento nesses trechos, com empresas responsáveis pela construção de novas galerias de maior capacidade, como forma de compensação pelos impactos de seus empreendimentos. Superada essa questão, o foco voltou-se à manutenção da rede existente.

A limpeza e conservação das galerias também entraram na pauta. Segundo o diretor de Drenagem, são realizadas vistorias frequentes, enquanto a prefeitura trabalha na elaboração do Plano de Drenagem Municipal. O documento deve reunir diretrizes e soluções para a cidade.

Entre as propostas em discussão está a criação de um Fundo Municipal de Drenagem, que poderá financiar tanto a manutenção quanto desapropriações necessárias para novos projetos. Com isso, o debate avançou para a necessidade de fiscalização e planejamento contínuo.

Na segunda parte da reunião, o vereador Professor Gilson de Souza (União Brasil) chamou atenção para falhas na manutenção do sistema e defendeu a cobrança por um planejamento que garanta a execução periódica desses serviços. A ideia, segundo ele, é evitar novos prejuízos à população por falta de ações preventivas. Após os apontamentos, a reunião foi encaminhada para o encerramento.

Ao final, o presidente Bruno Win reforçou a necessidade de transformar as propostas em ações concretas. Ele destacou que é preciso definir prioridades e garantir investimentos, tratando o saneamento como área essencial, ao lado de saúde e educação.


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