Os personagens vieram primeiro. O recluso Boo Radley, o militar, o mafioso, o pregador, o veterano endurecido. Em comum, todos tinham a marca de Robert Selden Duvall, ator, produtor e cineasta norte-americano que morreu neste domingo (15/02/26), aos 95 anos. A causa da morte não foi divulgada.
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A informação foi confirmada por sua esposa, Luciana Duvall, nas redes sociais, no dia seguinte. Segundo ela, o artista “faleceu em casa, em paz, cercado de amor e conforto”. Companheira desde 2005, Luciana destacou a dedicação do marido à arte de interpretar: “Em cada um de seus muitos papéis, Bob se entregou por completo aos seus personagens e à verdade do espírito humano que eles representavam. Ao fazer isso, ele deixa algo duradouro e inesquecível para todos nós”. Também o descreveu como diretor e contador de histórias, além de alguém movido pelo amor aos personagens, à convivência e aos encontros à mesa.
Dos palcos à consolidação no cinema
Nascido em 5 de janeiro de 1931, em San Diego, Califórnia, Duvall cresceu principalmente em Annapolis, Maryland, onde seu pai, William Howard Duvall, servia à Marinha dos Estados Unidos e se aposentou como almirante. A mãe, Mildred Virginia Hart, era atriz amadora. Ele tinha ascendência inglesa, além de origens franco-huguenotes, alemãs, escocesas, suíço-alemãs e galesas. Foi criado na religião Ciência Cristã.
Formou-se em 1953 na Principia College, em Illinois, após estudar também na Severn School, em Maryland, e na The Principia, em Missouri. Serviu o Exército dos Estados Unidos entre 19 de agosto de 1953 e 20 de agosto de 1954, durante a Guerra da Coreia, deixando a corporação como Soldado de Primeira Classe. Anos depois, afirmou que sua atuação no conflito foi distante das linhas de frente. Durante o período em Camp Gordon, na Geórgia, participou de uma montagem amadora da comédia “Room Service”.
No inverno de 1955, mudou-se para Nova Iorque e ingressou na Neighborhood Playhouse School of the Theatre, onde estudou com Sanford Meisner. Entre seus colegas estavam Dustin Hoffman, Gene Hackman e James Caan. Enquanto buscava espaço como ator, trabalhou como funcionário dos Correios em Manhattan. Chegou a dividir apartamento com Hoffman e, em determinado período, também com Hackman. Juntos, os três acumulam 18 indicações ao Oscar, com cinco vitórias.
Primeiros papéis e ascensão nos anos 1970
Após iniciar a carreira nos palcos no fim da década de 1950, Duvall passou a atuar na televisão e no cinema no começo dos anos 1960. Estreou nas telas como Boo Radley em O Sol É para Todos e também apareceu em Captain Newman, M.D..
Nos anos seguintes, ampliou a presença em produções de destaque. Interpretou o Major Frank Burns em MASH, assumiu o papel principal em THX 1138 e atuou em Tomorrow, adaptação de texto de William Faulkner desenvolvida no Actors Studio — associação artística que considerava sua favorita.
Vieram então participações em obras que se tornaram referência na filmografia norte-americana, como O Poderoso Chefão e O Poderoso Chefão Parte II, além de A Conversação, Rede de Intrigas e Apocalypse Now.
Reconhecimento e continuidade
Ao longo da carreira, foi indicado a sete Oscars, vencendo um por Tender Mercies. Recebeu ainda seis indicações ao Globo de Ouro, com quatro vitórias, além de indicações e uma vitória no BAFTA, no Screen Actors Guild Award e dois Emmys. Em 2005, foi agraciado com a Medalha Nacional de Artes dos Estados Unidos.
Seguiu ativo nas décadas seguintes em produções como The Natural, Colors, a minissérie Lonesome Dove, Stalin, The Man Who Captured Eichmann, O Apóstolo, A Qualquer Preço, Deuses e Generais, Rastro Perdido e Get Low.
Também integrou o elenco de produções como Bravura Indômita, A Força do Carinho, Um Dia de Fúria e participou de séries como Além da Imaginação, A Quinta Dimensão e Viagem ao Fundo do Mar.
Uma filmografia que atravessou gerações
De 1962 até os anos 2010, Robert Duvall construiu uma carreira que atravessou mais de seis décadas. Atuou em dezenas de filmes, alternando protagonismo e papéis coadjuvantes, no cinema e na televisão. Entre dramas históricos, histórias de guerra, narrativas familiares e produções de época, manteve presença constante na indústria audiovisual.
Com a morte aos 95 anos, encerra-se uma trajetória iniciada no teatro, consolidada em Hollywood e reconhecida por prêmios nacionais e internacionais. Permanecem em circulação as obras que ajudam a contar parte significativa da história do cinema norte-americano nas últimas décadas.
Com informações da Wikipedia
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