A relação do adolescente com o mundo virtual

Confira o texto de estreia da coluna Diálogo Aberto, da psicóloga Josiane Haack.

Foto: 24K Production / Getty Images [via Canvas]

Ao verificar sobre o que envolve tecnologia, adolescência versus mundo virtual, abre-se uma infinidade de termos ligados à busca.  Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, considera-se criança a pessoa até 12 anos de idade incompletos.  Já adolescentes, estão na faixa etária entre 12 e 18 anos.

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Pesquisas recentes apontam que, no Brasil, 93% das crianças e adolescentes, de faixa etária entre 9 a 17 anos, usam a Internet e na grande maioria, utilizam conta em rede social. Falamos da geração touch, que domina aparelhos celulares e várias telas com maestria por meio do toque e que desde cedo, já possuem acesso a computadores e outros dispositivos tecnológicos. A cibercultura.

Acesso às redes por adolescentes com maior frequência, fase em que as e percepções do mundo e de si mesmo são significativas e muitas. Período marcado por alterações biológicas, alterações de comportamento, mudança de humor, imprecisão de limites, mistura de emoções e sentimentos; aspectos que fazem parte da abertura de caminhos até a vida adulta.

A Revolução das redes sociais, há pouco mais de vinte anos, trouxe consideravelmente e sem dúvida, mais interação (e alteração) social, meios de agilidade no processo de comunicação, e intervenções significativas que contribuem para o movimento humano nos mais variados contextos. Somos influenciados pelo meio em que vivemos e automaticamente, acompanhar as mudanças contínuas, passam a ser inevitáveis.

Diante de aspectos comportamentais e emocionais, o contato com as redes têm importante papel na interferência de todos os lados relacionados ao contexto humano, o que também pode ser um sinal de alerta.

O que pertence a si, e o que é do outro?

Uma página, um (a) influencer, filtros, distorções da imagem, comparações, efeitos, uma identificação. Cliques que permeiam a vida do internauta e que podem trazer consequências à saúde mental. O que muitas vezes não aparecem explicitamente; não são notáveis diante de vulnerabilidades.

A Relação do adolescente com o mundo virtual, perpassa exposições que existem ali no correr da tela e por muitas vezes pelo mundo fictício, que espelha quem está conectado com o aparelho celular em mãos ou girando nas plataformas.

Casos de ansiedade infanto-juvenil, isolamento, déficit de autoestima, associados a transtornos importantes, são considerados a cada dia em crianças e adolescentes e estão relacionados às redes sociais.

Cenários comuns de crianças e jovens que passam horas on-line, conectados em seu universo particular com bombardeios de informação, facilidades, as mais variadas atrações, velocidade, praticidade e a sinalização cerebral do querer mais.

Atualmente, instituições de ensino exploram sobre os Transtornos Digitais, com o intuito de capacitar a abordagem frente à dependência digital, diante de resultados que impactam na saúde mental das pessoas e principalmente de crianças e jovens que se encontram em fase de desenvolvimento e delicada maturidade emocional.

Como profissionais da saúde, precisamos conversar mais sobre isso. Trabalhar com a orientação parental, pontuar sobre a dinâmica do lar, rotinas, uso das redes com cautela e limites, uma vez que tudo envolve a tecnologia que faz parte do nosso dia a dia. O diálogo é a chave, é a base fundamental, sempre.

Observar respostas comportamentais que podem estar atreladas ao uso das redes em demasia, como irritabilidade, intolerâncias, dificuldade de indução do sono, frustrações quando longe das telas, dificuldade de autocontrole; bem como sobre o quê o conteúdo trouxe de impactos a criança ou ao adolescente; o que pode não ser tão fácil de perceber. Contudo, a sensibilidade e o olhar mais apurado são grandes aliados para isso.

Prevenir possíveis consequências e agravantes psicológicos, afetivos e emocionais, ou intervir em situações que se tornaram evidentes, se faz essencial para buscar o equilíbrio em meio a tantos imediatismos, padrões, comparações com figuras que se tornam referência e equívocos quanto a performance ideal (ou irreal), é o nosso papel enquanto agentes, pais e educadores ativos.

Vamos juntos. Saúde!

 

Josiane Rodrigues Haack é psicóloga (CRP 12/11934) formada pela Universidade Regional de Blumenau (FURB). Atua no atendimento de crianças, adolescentes, adultos e famílias, com foco em Psicologia Clínica e da Saúde. Instagram:@psi_josianerodriguesh


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