quarta-feira, 22 setembro 2021
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A Fotografia nos tempos do Império

Julio Pollhein

Para celebrar a data de hoje — 19 de agosto — Dia Mundial da Fotografia vale considerar o que afirmou o jornalista e professor, Pedro Karp Vasquez em seu livro: “A Fotografia do Império”. O autor conta que Dom Pedro II foi o primeiro no Brasil (1840) a praticar fotografia com um daguerreótipo que ganhou de presente aos 14 anos.

Autorretrato de Dom Pedro II – Fonte: Gilberto Ferrez/Acervo IMS

Daguerreótipo: equipamento fotográfico inventado pelo francês Louis Daguerre em 1839, [25 minutos para captura de imagem]. Sendo o primeiro equipamento construído em escala comercial. O processo da daguerreotipia foi descoberto e desenvolvido inicialmente por Joseph Niépce em conjunto com o próprio Daguerre a partir de 1826  [oito horas para captura de imagem].

Westlicht Auction /Reprodução – O processo químico consistia em uma chapa de cobre, revestida de prata e sensibilizada com vapor de iodo, posicionada em uma câmera escura, que ficava exposta à luz durante um tempo e depois era revelada com vapor de mercúrio e fixada com hipossulfito de sódio

Além de ser o primeiro brasileiro a tirar uma fotografia na primeira metade do século XIX, Dom Pedro II instituiu no Brasil o título de “Photographo da Casa Imperial” [iniciativa copiada pela rainha Victoria da Inglaterra].

A nomeação foi concedida a partir de 1851 aos melhores fotógrafos do país, entre eles, o francês: Revert Henrique Klumb [professor de fotografia da Princesa Isabel]. Nas viagens do Imperador, a comitiva também passou a contar com um especialista em temas locais e um fotógrafo.

Fotografia: Klumb, Revert Henrique – Família imperial brasileira em visita a fazenda em Juíz de Fora, no sul de Minas Gerais, 1861 – Fonte Coleção Princesa Isabel – Fotografia do século XIX/Ficheiro: Família imperial

Na época, a fotografia ainda estava concentrada inteiramente na produção de retratos que era a principal fonte de renda dos fotógrafos de trabalhos feitos principalmente para os nobres da corte.

A imagem tornara-se um símbolo referencial de status social — a burguesia explorava a possibilidade de eternizar os momentos de glória por meio de registros fotográficos.

Fotografia: Klumb, Revert Henrique – A Imperatriz D. Teresa Cristina com as princesas Isabel e Leopoldina ao fundo, 1861 – Fonte: Coleção Dom João de Orleans e Bragança

Dom Pedro II fez a primeira “Selfie” do Brasil

Em uma carta, o Imperador revelou o segredo de ter conseguido um autorretrato. Ele posicionou sua câmera fotográfica em uma mesa e com uma corda amarrada a ela, puxou o dispositivo para tirar a foto — a corda passava por dentro de suas roupas e a mão dentro do seu paletó a puxou.

Possível autorretrato feito no Palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro, aproximadamente em 1860, Pedro II, com aproximadamente 35 anos – Fonte:Gilberto Ferrez/Acervo IMS

A fotografia passou a ser o instrumento de divulgação da imagem de Dom Pedro II, “moderna como queria que fosse o reino”, comenta Lilia Moritz Schwarcz no livro: “As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos” (1998). 

Patrocínio à fotografia: Devido ao seu interesse no assunto, tornou-se um grande colecionador, além de promover a arte e a técnica fotográfica, ajudando decisivamente o desenvolvimento da fotografia no país.

Fotografia: Klumb, Revert Henrique – Rua Princesa Dona Januária (atual Marechal Deodoro), c. 1865. Petrópolis, RJ – Fonte: Gilberto Ferrez/Acervo IMS

Ao deixar o Brasil em 1889, após a proclamação da República, o imperador D. Pedro II doou à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro seu acervo pessoal com cerca de 25 mil fotografias.

Fotografia: Klumb, Revert Henrique – Palácio Imperial, c. 1860. Petrópolis, Rio de Janeiro – Fonte: Gilberto Ferrez/Acervo IMS

 

O autor é graduado em Jornalismo; Especialista em Novas Mídias, Rádio/TV; Mestre em Desenvolvimento Regional e estudante de Direito. Atua como jornalista/fotógrafo e professor de fotografia.

 

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